Mensagens de Inês de Castro · F. C. Xavier / Caio Ramacciotti. / Inês de Castro · Chico Xavier

Capítulo 30 de 41

Alfabeto de Estrelas - Inês de Castro

1 Amado rei.

Um dia, Fosse pela verdade ou pela fantasia, Procurei sobre a terra Onde haveria de encontrar O poema de amor, o mais terno e o mais lindo, O poema de Luz que me pudesse dar A notícia de Deus na grandeza da vida.

2 Procurei a açucena por ser flor De aroma estranho e raro, E ela disse não ter para ofertar Semelhante poema De grandeza suprema Porque, na essência, unicamente era Um enfeite gentil da primavera.

3 Pedi ao sol esse tesouro, Mas jorrando os fotônios que produz, Disse o sol balançando os cachos de ouro Que somente podia oferecer Poemas de calor, de alegria e de luz.

4 Roguei à fonte que me desse Algum desses poemas imortais, Mas a fonte me disse que podia Afastar-me da sede e nada mais.

5 Pedi à brisa me envolvesse o anseio Nesse poema assim profundo, E a brisa respondeu, alígera e singela, Que Deus unicamente dera a ela O poder de acalmar o calor do verão, Quando o verão quisesse incendiar o mundo.

6 Então sob a fadiga da procura Na longa caminhada Dormi na própria estrada E cheguei a sonhar Que vinhas do mais Alto, De longe, muito longe, Da imensidão celeste.

7 E me trouxeste, oh! Soberano Amado, O excelso poema inexplicado. Nada disseste pelo verbo humano, Mas me entregaste, amado soberano, O poema divino em versos dos mais sábios, Na esplendente mudez dos próprios lábios.

8 Então senti, precipitadamente, Que o poema esperado Estava todo escrito em vibrações sublimes, Em altas vibrações, E eu para entendê-las Fazia inesperadamente em mim Um alfabeto de estrelas.

9 E compreendi, amado rei, Que o poema aguardado Era feito de luz, vida e canção E que somente existe para mim, Por força eterna da Divina Lei, Na luz do vosso amado coração. Inês de Castro