Dádivas de amor · Maria Dolores · Chico Xavier

Capítulo 21 de 21

Rotina

1 Alma querida, às vezes, choras Na rotina que acolhes por dever Pelo fio das horas Que o relógio te aponta No que tens a fazer.

2 É a profissão que te reclama tempo, É o lar, pedindo-te atenção, Através de pequenos compromissos, E o tempo voa Qual dádiva do Céu que passa em vão.

3 Mas a rotina inclui outros problemas: É o carinho de alguém que chega de improviso, É o amigo que vem Recordar quanto é preciso Trabalhar para o bem.

4 É o parente que chega para confidências, Largou-se do trabalho por minutos, Num estreito intervalo.

Fala das provações que está sofrendo E faz-se imprescindível confortá-lo.

5 E o dia passa nas tarefas E nos encontros com que não contavas… O Sol se foi e eis que a sombra se inclina Por toda a casa e ouço-te o lamento: — “Como é triste a rotina!”

6 Entretanto, alma irmã, ainda hoje, Pude cumprimentar pessoas generosas Aturdidas por amargura imensa… Desejam trabalhar mas não conseguem, Algemadas ao peso da doença.

7 Acompanhei equipes de visita Aos irmãos que tateiam livros, vasos, flores, Segregados em rude solidão…

Anseiam abraçar amigos que aparecem Mas estão cegos da visão.

8 Diversos companheiros vi, de perto, Mostrando no silêncio Raciocínios agudos…

Pretendem dialogar, trocando ideias, Entretanto, estão mudos.

9 Abeirei-me de muitas criaturas Em estradas e ermos esquecidos Aguardando o socorro que não vem… Recordam com saudade os entes que mais amam E não surge ninguém!…

10 Reflete nos irmãos, em grandes provas, Que vivem sem a mínima esperança, Da esperança que adoça os dias teus… E, louvando a rotina que te guarda, Rende graças a Deus!…

Maria Dolores