Chico Xavier — Mandato de amor · Mandato de amor. — Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 35 de 87

Agradecendo à comunidade espírita brasileira: Chico Xavier

Informados de que o médium Chico Xavier estaria completando, neste 1975, as suas “Bodas de Ouro” com a mediunidade, fomos procurá-lo para alguns apontamentos em torno da ocorrência, e o diálogo começou:

1. Pergunta — Chico, 1975 é o seu cinquentenário de serviço mediúnico?

Resposta — Ainda não.

2. Pergunta — Quando foi a sua primeira atuação em público?

Resposta — 8 de julho de 1927.

3. Pergunta — E o seu primeiro livro psicografado?

Resposta — 1931.

4. Pergunta — Até agora quantos livros publicados?

Resposta — 134.

5. Pergunta — Você confirma a doação gratuita dos direitos autorais que lhe cabem?

Resposta — Sim.

6. Pergunta — Poderá especificar, por número de obras, as instituições que as receberam?

O médium consulta um folheto em arquivo e esclarece:

Resposta — 84 livros foram cedidos à Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro; 14 foram entregues à Comunhão Espírita Cristã, em Uberaba; 12 foram doados à Livraria Editora Allan Kardec, em São Paulo; 9 estão cedidos ao Grupo Espírita Emmanuel, da cidade de São Bernardo do Campo, Estado de São Paulo; 5 foram doados ao Instituto de Divulgação Espírita, em Araras, Estado de São Paulo; 4 foram cedidos à Livraria Espírita “O Clarim”, da cidade de Matão, Estado de São Paulo; 2 estão sob a responsabilidade do Grupo Espírita Fabiano, no Rio de Janeiro; 1 foi cedido à Editora Espírita Boa Nova, em São Paulo, capital; 1 foi entregue à Editora Cultural Espírita Ltda., em São Paulo, capital, e 1 está doado à Editora Pensamento, em São Paulo, capital.

7. Pergunta — Você não tem participação ou influência na destinação desses livros?

Resposta — Nenhuma participação pessoal. Devo, aliás, acentuar que todos eles foram confiados pelos benfeitores espirituais que os escreveram a instituições respeitáveis.

8. Pergunta — Discos? Sabe-se que você num deles apareceu com Roberto Carlos e Erasmo Carlos, em parceria. Esses discos são igualmente doados?

Resposta — Sim. Os discos até agora produzidos por nós pertencem à Comunhão Espírita Cristã, nossa benemérita instituição em Uberaba.

9. Pergunta — Você é diretor da Comunhão Espírita Cristã?

Resposta — Não sou diretor, mas apenas um companheiro de serviço espiritual, desde a fundação da nossa casa, que se encontra magnificamente administrada por nossa abnegada irmã Srta. Dalva Rodrigues Borges, que se faz acompanhar por devotados companheiros da causa espírita-cristã. Dalva e os outros diretores tudo fazem pelo engrandecimento e respeitabilidade de nossa instituição. Num testemunho público, assim qual este, em que respondo aos caros amigos do “Lavoura e Comércio” sobre assuntos tão íntimos, sinto-me no dever de salientar a nossa admiração e respeito pela dedicação incessante de nossa irmã Dalva Rodrigues Borges que, na direção da Comunhão Espírita Cristã, é para nós todos um exemplo de trabalho e dignidade, elevação e amor ao próximo, seja nas obras assistenciais que o seu devotamento mantém com segurança, ou seja na fidelidade e limpidez com que se consagra à sustentação da cultura espírita, ante os princípios de Allan Kardec nos ensinamentos de Jesus.

10. Pergunta — Então, funciona você simplesmente por médium?

Resposta — Sim, por médium, com responsabilidade sobre a formação dos livros e mensagens avulsas que recebo dos amigos espirituais, enviados pelos mesmos benfeitores da Vida Superior, quanto ao que desejam se faça com o trabalho deles, seja quanto à publicação desse ou daquele impresso ou folheto avulso.

11. Pergunta — Será isso um serviço de divulgação dos serviços da casa propriamente ditos?

Resposta — Sim, em função dos livros recebidos mediunicamente por mim, com responsabilidade expressa de minha parte no lançamento das ideias que contenham, tanto em Pedro Leopoldo, de 1927 a 1958, e em Uberaba, de 1959 até agora, esse serviço de controle das doações de livros ou de distribuição dos originais das mensagens diversas tem estado sob a minha responsabilidade, como não podia deixar de ser.

12. Pergunta — E isto não gera conflitos?

Resposta — Não. Tanto em Pedro Leopoldo quanto em Uberaba, os companheiros da tarefa espírita me auxiliam, com respeito e bondade para que eu possa cumprir o meu dever.

13. Pergunta — Compreendendo-se um serviço desses em suas mãos e observando a sua movimentação pública em televisão, reuniões de beneficência, solenidades de cidadania e tarde de autógrafos, como você pode sustentar as despesas de semelhantes apresentações se você não recebe remuneração pelos livros editados? Resposta — Sempre tive, graças a Deus, um grupo de bons amigos que me amparam as tarefas, para que a mediunidade em mim possa sobreviver com as obrigações que a própria mediunidade me trouxe.

14. Pergunta — Que nos diz das cidadanias honorárias que vem recebendo?

Resposta — Vou às solenidades referentes a elas, quando isso me é possível, ao modo de um caixeiro viajante que se incumbe de receber documentação da firma a que pertence. Em todas as cerimônias de cidadania, com o amparo de Emmanuel, tenho procurado transferir as homenagens programadas aos companheiros espíritas, reconhecendo que essas titulações pertencem a eles e não a mim. Nesse sentido, peço licença para lembrar uma trova que recebi do poeta desencarnado Milton da Cruz, muito apropriada ao assunto: “Para a jornada segura Não te esqueças, companheiro, Que todo lugar de altura Revela um despenhadeiro.”