Chico Xavier em Goiânia · Entrevistas. — Emmanuel · Chico Xavier
Capítulo 3 de 14
Poetas goianos no Além
Por oportuna e profunda, apresentamos nas páginas seguintes a crítica literária do imortal Bernardo Elis aos sonetos psicografados por Chico Xavier na Assembleia Legislativa Goiana. Consagrado escritor, poeta e crítico goiano, Bernardo Elis recentemente conquistou uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Os três sonetos recebidos mediunicamente por Francisco Xavier na noite de 7.05.1974, em Goiânia, podem, na verdade, ser subscritos por seus autores.
“Retorno”, de Félix de Bulhões; “Minha Birra”, de Joaquim Bonifácio de Siqueira e “Falando a Goyaz”, de A. Americano do Brasil, inegavelmente, trazem a marca do estilo de cada um de seus autores, uns de maneira mais pronunciada, outros menos. Nenhum, porém, de forma totalmente diferente. Examinemos cada um. “Retorno”, de Félix de Bulhões. Embora não houvesse escrito muitos sonetos, pois o romancista não era de muito soneto, nos poucos que escreveu Félix de Bulhões usou tanto o decassílabo, como nesta produção, como também usou versos de doze sílabas. No presente caso temos, pois, um soneto decassílabo, observadas corretamente as normas tradicionais, exceto no tocante às rimas que me parecem pobres, mas os românticos se permitiam bastante liberalidade nesse particular. Só tenho uma objeção a fazer ao soneto mediúnico de Félix de Bulhões. É que ele é muito mais um soneto Simbolista do que um soneto da fase romântica, especialmente da fase romântica a que se filiava Bulhões condoreira e hugoana. Por sinal, o soneto atribuído a Félix de Bulhões é um belo poema simbolista, que seria assinado com agrado por grandes nomes da escola de Cruz e Souza.
Dizendo isso, não descreio que Félix de Bulhões possa ter mudado de escola literária no Além, evoluindo, pois já faz 87 anos que ele desencarnou.
“Minha Birra”, de Joaquim Bonifácio de Siqueira, é o mais autêntico, podendo-se dizer que é um pastiche de seu famoso soneto “Em um sereno”, bastante conhecido, que diz:
“Senhores, não sou de barro, e muito menos de ferro!
Sou homem, por isso eu erro e muitas vezes me desgarro”.