Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier
Capítulo 98 de 101
O faroleiro
1 Enquanto o leque da noite Agrava a sombra e o perigo, A distância, eis que se acende O farol bondoso e amigo.
2 A luz define os caminhos, Mostra o vulto dos rochedos, Pode o barco prosseguir, A treva não tem segredos.
3 Tudo é noite sobre o abismo, Mas na torre existe alguém, Atento em manter a luz, Disposto a fazer o bem.
4 É o faroleiro. Em silêncio Clareia a amplidão do mar, Determina o rumo certo E atende sem perguntar.
5 Navios maravilhosos, Em prodígios de conforto, Recebem-lhe o benefício E seguem, de porto a porto.
6 Passam barcos de descanso, Jangadas laboriosas… O farol ajuda sempre Sem perguntas ociosas.
7 Todos devem ao farol, Do comando ao marinheiro, Mas quase ninguém conhece As dores do faroleiro.
8 Por servir e auxiliar, Aceita uma condição: A vida de insulamento Muita vez em privação.
9 Se ouvirmos as grandes vozes Da verdade soberana, Na Terra acontece o mesmo Nos mares da luta humana.
10 Quem possa trazer mais luz Vive em campo solitário, Tal qual o Mestre Amoroso Da torre em cruz do Calvário. Casimiro Cunha