Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 97 de 101

A capa

1 Enquanto vibra o calor Do verão, em luz florida, A capa confortadora Permanece recolhida.

2 Em tudo há sol claro e quente, Após a bênção do orvalho… Oculta-se a capa amiga Nas reservas de agasalho.

3 Entretanto, chega um dia, Que surge na imensidade, Envolto de sombras frias E sopros de tempestade.

4 Rajadas dilacerantes Invadem a atmosfera, Não mais a carícia doce Das tardes de primavera.

5 De outras vezes, muito embora Cesse a grande ventania, Continua o inverno forte, Torturando noite e dia.

6 Ar gelado, névoas densas Ao longo de toda a estrada, Se a neve não cai do céu, A terra sofre a geada.

7 É quando a capa bondosa Aparece no caminho, Como a terna mensageira Do consolo e do carinho.

8 Requestada em toda a parte, No tempo frio e brumoso, Trabalha, conforta e ajuda, Sem as pausas do repouso.

9 Assim, no inverno das dores Que trazem desolação, A crença é a capa celeste Que agasalha o coração.

10 Mas no mundo há muito crente, Que quando padece e chora, Desatende a Providência E atira com a capa fora. Casimiro Cunha