Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 80 de 101

O remédio

1 O doente neste mundo, Que deseje melhorar, Jamais encontra remédio Saboroso ao paladar.

2 Por ministrar reconforto, Fazendo caminho à cura, O melhor medicamento Tem ressaibos de amargura.

3 Todo enfermo esclarecido, De senso nobre e louvável, Já sabe que seu remédio Tem gosto desagradável.

4 Se a moléstia é renitente, Mais áspera e mais revel, A justa medicação Amarga, sabendo a fel.

5 Por vezes, a beberagem Não basta à restauração, É preciso o bisturi Na zona de intervenção.

6 Contra o campo infeccioso, Providência compulsória, Angústias do pensamento Sobre a mesa operatória.

7 Há remédios variados: Purgante, choque, sangria, Compressas e pedilúvios, Recursos de cirurgia.

8 Sempre o fel do sofrimento Amigo, reparador, Tortura que retifica A dor que remove a dor.

9 Se é tão grande o sacrifício No campo da cura externa, Pondera sobre o equilíbrio Necessário à vida eterna.

10 Nos dias de grandes dores, Vive a fé, guarda-te em calma. Grandes males no teu corpo São remédios na tua alma. Casimiro Cunha