Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 68 de 101

O cipó

1 Sobre a árvore frondosa Que mostra calma infinita, Abraçada ao tronco forte Lá se vai o parasita.

2 Não atinge o cerne, a seiva, Mas, buscando a copa, as flores, Enrodilha-se, teimoso, Nas cascas exteriores.

3 Agarrado tenazmente, Vai subindo vagaroso, Alcançando o cume verde Do arbusto generoso.

4 Aboletado nos cimos Do castelo de verdura, O cipó audacioso Aparenta grande altura.

5 Deita flores opulentas De expressão parasitária, Avassalando a nobreza Da árvore centenária.

6 Recebe os beijos do Sol, Embala-se na ternura Da carícia perfumosa, Da brisa mais alta e pura.

7 Mas, vem o dia em que o Pai Na lei de renovação, Chama o tronco nobre e velho. As bênçãos da mutação.

8 É aí que o cipó vaidoso Demonstra o que não parece, Voltando ao pó do chão duro, Para as zonas que merece.

9 Quanta gente brilha ao alto, E, no fundo, inspira dó? Há milhões de criaturas Vivendo como o cipó.

10 Jamais olvides a lei De trabalho e obrigação, Não queiras mostrar-te ao alto À custa do teu irmão. Casimiro Cunha