Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 67 de 101

O vau

1 Por benfeitor venerável, No seio da Natureza, Rola o rio caudaloso Escondendo a profundeza.

2 Enquanto busca reserva, Guardando seu próprio leito, Ninguém se arrisca à passagem Sem cuidado e sem respeito.

3 O rio jamais se nega A ceder na travessia, Mas todos se acercam dele Com a máxima cortesia.

4 Socorrem-se os viajantes Do auxílio de embarcação, E espera-se a ponte amiga Como justa construção.

5 Mas, se um dia, por descuido, O rio apresenta o vau, Ai dele! o destino agora É triste, amargoso e mau.

6 Ninguém lhe receia as águas Noutro tempo respeitadas; Invadem-nas cavaleiros, Carros, toras e boiadas.

7 As correntes que eram puras, E amadas por justa fama, Rolam sujas e insultadas De lodo, de lixo e lama.

8 A ponte dorme em projeto E o rio, embora a beleza, Depois que exibiu o vau, Nunca mais teve defesa.

9 As nossas almas também São como o rio profundo… A zona de intimidade Precisa ocultar-se ao mundo.

10 O mal quer turvar-nos sempre. Vigia, resiste e vence-o. Se queres respeito e paz; Não te esqueças do silêncio. Casimiro Cunha