Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 62 de 101

O tronco e a fonte

1 Um tronco frondoso e verde Erguia-se além da fonte. Perto, o solo pobre e seco, Longe, as luzes do horizonte.

2 Certo dia, disse a fonte: — Dá-me a sombra de teu galho, O duro chão me consome, Dá-me teu brando agasalho!…

3 Respondeu-lhe o tronco antigo: — Vem a mim! Serei feliz!… Serás a seiva da seiva Que me alimenta a raiz.

4 Desde então, o tronco e a fonte Uniram-se a plena luz Da grandeza que dimana Da bondade de Jesus.

5 O tronco reconheceu, Vibrando de terno amor, Que a fonte era a mãe bondosa De sua seiva interior.

6 E a fonte viu nele o pai De sua imensa alegria, Repousando em sua paz Nas lutas de cada dia.

7 Desde então, cantaram hinos De hosanas ao Criador, Entre frutos dadivosos, Na estrada cheirando à flor.

8 À raiz, a água da vida Levava consolação; E o tronco elevou-se ao Céu Com a fonte no coração.

9 Houve sol e sombra amiga, Flor e frutos na ramagem; Cantigas de passarinho, Harmonizando a paisagem.

10 Duas almas que se irmanam Na luz dos afetos seus, São esse tronco e essa fonte Guardados no amor de Deus. Casimiro Cunha