Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 61 de 101

O lago

1 Todo lago tem seu nível. Qualquer um, raso ou profundo, É patrimônio a dispor Na tábua dos bens do mundo.

2 A questão toda é saber, A golpes de paciência, Utilizar-lhe os proveitos Com bondade e inteligência.

3 Diversos homens acusam As águas estacionadas, Como poços enfermiços De forças envenenadas.

4 Mas, como tudo na Terra, O lago pede, também, A compreensão de seus donos Na lei que edifica o bem.

5 Se recebe o seu auxílio, Retribui toda a atenção, Dando vida e movimento Aos quadros da Criação.

6 Se alguém lhe defende as águas, Protegendo-lhe a limpeza, É um espelho cristalino Na estrada da Natureza.

7 De dia, trabalha e dá, Sob os ventos generosos; De noite, reflete a luz Dos astros cariciosos.

8 Mas, a fim de ser mantido No esforço nobre e fecundo, É bom que ninguém lhe agite O lodo que está no fundo.

9 O lago retrata a vida Nos quadros em que repousa. Todo homem tem seu nível Para o bem de alguma cousa.

10 Um a um, pedem respeito Aos seus níveis de existência, Pois todos guardam consigo O lodo da experiência. Casimiro Cunha