Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier

Capítulo 58 de 101

O pântano

1 É um quadro sempre inquietante Que inspira pena e cuidado, Quando vemos no caminho O pântano abandonado.

2 Enquanto, em redor de si, Há cantos que a vida entoa, Ele espera ansiosamente O esforço que aperfeiçoa.

3 Todo o ar é pestilento Em sua fisionomia, Nos seus bancos lamacentos, Ninguém descansa ou confia.

4 Muito poucos se aproximam Do barro de sua imagem; É ferida cancerosa No organismo da paisagem.

5 Mas, um dia, o lavrador Dá-lhe atenção, dá-lhe drenos, E o pântano desolado É o melhor dos seus terrenos.

7 Onde havia lodo e lama, Águas sujas e amargosas, Os legumes são mais ricos, As flores mais perfumosas.

7 Essas terras desprezadas, Tão pobres e desiguais, Ensinam, em toda parte, Que Deus é o melhor dos pais.

8 Entre as quedas dolorosas, Nos erros e nos desvios, Nós somos, na Criação, Pontos tristes e sombrios.

9 Nossa ideia de virtude, A mais bela em sentimento, É a que nasce nos monturos Da lama do sofrimento.

10 Deus, porém, que é o Pai Amigo, Jamais nos deixou a sós. Jesus é o bom lavrador, E o pântano somos nós. Casimiro Cunha