Cartilha da Natureza · Casimiro Cunha · Chico Xavier
Capítulo 57 de 101
A erosão
1 Quem busca na paz do campo Os bens da contemplação, Costuma encontrar; por vezes, As surpresas da erosão.
2 Dos acumes da paisagem, Eis que a visão descortina Horizontes luminosos Na vastidão peregrina!
3 Em torno rebentam flores Nas folhagens perfumosas, Entre as árvores e os ninhos Sopram brisas buliçosas.
4 Misturando-se, à verdura, Há caminhos de enxurrada, Formando abismos escuros Na terra dilacerada.
5 Em derredor, tudo é glória Do campo verde e florido; Céu de anil, promessa e luz, Mas o solo está ferido.
6 Somente à custa de esforço, De luta excessiva e estranha, É possível reparar As úlceras da montanha.
7 É um quadro que faz lembrar As almas de grande altura, Que, embora a ciência e o brilho, Têm abismos de amargura.
8 São montes iluminados De sonho e conhecimento, Mas, degradados, por vezes, Nos planos do pensamento.
9 Recebem, da luz de Deus, Dons sublimes e infinitos, Mas se deixam avassalar De enxurradas e detritos.
10 Quem guarde na intimidade Tais feridas de erosão, É que vive sem defesa Nos campos do coração. Casimiro Cunha