Bazar da Vida · Jair Presente · Chico Xavier
Capítulo 13 de 21
O cofre
1 A viúva Dona Adélia Fora linda e muito rica, Ajaezada de joias Na Fazenda de Benfica.
2 Mas tudo via em mudanças, Desde a morte do marido, Fazenda, granjas e terras, Tudo ela havia perdido.
3 Tinha dois filhos adultos, Liberato e Consentino, O primeiro — jogador, O segundo — libertino.
4 Gastavam dinheiro, a rodos, Sob avais e mais avais; Quando a viúva acordou, Tinha assinado demais.
5 Perdera fazenda e terras, As joias que possuía, Todo o crédito bancário E a casa de moradia…
6 Os dois filhos lhe arranjaram Duas estreitas salinhas, Onde moravam com ela Um gato e duas galinhas.
7 Comiam do que lhes dessem, Por simpatia e bondade, As pessoas de visita, Em nome da caridade.
8 Os filhos, porém, notaram Que ela guardava com gosto, Um cofre, sob disfarce, Num travesseiro bem posto.
9 Certo dia, com malícia, Perguntou-lhe o Liberato: — “Mãezinha, o que há no cofre, Que recebe tanto trato?”
10 Ela apenas respondeu, Mostrando certo cuidado, — “Neste cofre, tenho o resto Do meu dinheiro guardado.”
11 Desde esse dia, a viúva Teve os filhos, ao redor, Ela, as galinhas e o gato Comeram muito melhor.
12 Vários anos se passaram Com melhoria e regalo: Os filhos, olhando o cofre E ela sempre a resguardá-lo.
13 Em luminosa manhã, Os moços, abrindo a porta, Estremeceram de susto, Dona Adélia estava morta.
14 Guardaram o cofre, às pressas, Trouxeram médico e gente… E ao fim do dia lhe deram Funeral sóbrio e decente.
15 Ambos sozinhos, à noite, Abriram o cofre, enfim… O cofre só tinha conchas E um bilhete escrito assim:
16 — “Filhos do meu coração, Meus filhos que tanto amei, Perdoem se nada tenho… Tudo o que eu tinha, eu lhes dei…
17 “Mas, agora, se desejam Ouro e mais ouro a rolar, Aceitem o meu conselho: Cada um vá trabalhar!…” Jair Presente