Bazar da Vida · Jair Presente · Chico Xavier

Capítulo 12 de 21

Lição imprevista

1 O irmão Joaquim Benevente Justamente nesse dia, Amanhecera, animado, Mostrando grande alegria.

2 Finalmente, ia encontrar O prezado benfeitor Que lhe escrevia, de longe, Renovando-lhe o vigor.

3 Estava fazendo um lar Que desse a toda criança, Sozinha ou desamparada, Paz, amor e segurança.

4 Pois, esse amigo distante Faria do longe o perto; Prometera visitá-lo Em data e horário certo.

5 Além disso, o benfeitor, Sempre ativo e sempre irmão, Dissera-lhe em carta amiga Que lhe traria um bilhão;

6 Um bilhão que o amparasse, No serviço em andamento, E Joaquim se organizara Para abraçá-lo, a contento.

7 De ônibus, ia às compras… Sentou-se, notando ao lado Um homem de grande porte, Idoso, forte e pesado.

8 Após minutos de calma, Em aspirando o rapé, O companheiro de banco, Sem querer, pisou-lhe o pé…

9 Mas Joaquim trazia um calo Com minguada paciência, Um calo que lhe amargurava Cada dia da existência.

10 Ao sentir-se machucado, Entregou-se à irritação E gritou, atarantado: — “Tire o pé, “seu” gordalhão!…

11 “Infeliz, saia daqui, Saia e vá para diante, Não quero ter, ao meu lado, O seu corpo de elefante…”

12 O homem rogou desculpas E afastou-se, incontinente, Cambaleou e seguiu, Sentando-se mais à frente.

13 Joaquim comprou doces finos Em nobre confeitaria, Aguardando o benfeitor Que, logo, o visitaria…

14 No horário, alguém bate à porta; Joaquim corre a ver quem é… Era o homem alto e forte Que lhe pisara no pé.

15 O visitante sorriu, Joaquim pediu-lhe perdão Recebendo, envergonhado A dádiva de um bilhão.

16 Mantendo nas próprias mãos O cheque pleno de ensinos, Pensava no grande ensejo De serviço aos pequeninos.

17 Moral da história: quem queira Obras de amor e valia, Que cultive a tolerância E cuide da cortesia. Jair Presente