Baú de casos · Cornélio Pires · Chico Xavier

Capítulo 9 de 21

As duas bandas

1 Recebi a sua carta, Meu caro Antônio José, Sobre antiga indagação No campo de nossa fé.

2 Diz você: “Caro Cornélio, Escute. Por que será Que tanta gente prefere Viver na banda de lá?

3 “Na banda de cá, nós temos Esperança, paz e luz, Trabalho de melhoria Nos créditos de Jesus.

4 “Mas creia que dói saber Quando se nota e se pensa Que temos tantos amigos Enrolados na descrença.”

5 A linha que você fez, A meu ver, melhor não há: Separando a nossa banda Da outra banda de lá.

6 No entanto, a minha resposta É igual à que você tem; Infeliz de quem descrê Da vida no Mais Além.

7 Na banda de lá, meu caro, Há muita sombra escondida E muita gente chorando Sem fé no poder da vida.

8 Os irmãos que vivem lá E nisso é que me embaralho, Desejam achar a fé Mas não desejam trabalho.

9 Procuram revelações, Prodígios fenomenais, Querem verdades ao certo, Quando encontram querem mais.

10 Na banda de cá, por vezes, A provação fere fundo, Contudo, a crença dissolve Qualquer problema do mundo.

11 Há pessoas separadas, Bom senso não nega isso, Porque nem todos trabalham Sob o mesmo compromisso.

12 Sendo assim, todos achamos Muitas lutas por vencer, Burilamento reclama Cada qual em seu dever.

13 Por isso, meu caro amigo, Sob a fé que serve e anda, Continuemos fiéis Do lado de nossa banda.

14 Podem surgir brigalhada, Reclamação, amargura, Mas no meio dos pampeiros A fé se mantém segura.

15 Na banda de cá, por vezes, A provação fere fundo, Contudo, a crença dissolve Qualquer problema do mundo.

16 Há pessoas separadas, Bom senso não nega isso, Porque nem todos trabalham Sob o mesmo compromisso.

17 Sendo assim, todos achamos Muitas lutas por vencer, Burilamento reclama Cada qual em seu dever.

18 Por isso, meu caro amigo, Sob a fé que serve e anda, Continuemos fiéis Do lado de nossa banda.

19 E supliquemos a Deus Que a todos sustentará, Muito amparo à nossa banda E paz na banda de lá. Cornélio Pires