Baú de casos · Cornélio Pires · Chico Xavier
Capítulo 8 de 21
Notícia da sombra
1 Prezada Marta Eliana, Deseja você que eu diga Como é que se vê do Além A trajetória da intriga.
2 De tratamento difícil A sua estimada carta. Não sei como respondê-la… Desculpe, querida Marfa.
3 Comparo a intriga à uma sombra Que atrapalha qualquer vida, Por dentro do coração Em que seja recebida.
4 Para notar-lhe de perto A força estranha e nefasta, Certa vez, acompanhei-a Nas trilhas onde se arrasta.
5 Notei-a falando baixo Com Zeferina do Alfeu, Decorridos alguns dias A coitada enlouqueceu.
6 Outra porta que se abriu Foi a de Gino Delgado, O pobre, depois de ouvi-la, Atirou sobre o cunhado.
7 Em seguida, conversou Com Dona Flora Bonilha, Dona Flora transtornada Espancou a própria filha.
8 Tomou a atenção de Juca, Sobre o filho, o João Libório; O pai, depois de alguns dias, Rumou para o sanatório.
9 Buscou a loja de Zeca Pixando Elísio Coutinho; No outro dia, Zeca, em fúria, Avançou sobre o vizinho.
10 Observe a confusão, Onde a sombra ganha pé, Principalmente nas casas Que se dedicam à fé.
11 Grupo Espírita modelo, Era o Centro de Irmã Rosa, Que após aceitar a sombra, Acabou-se em polvorosa.
12 Ela, um dia, penetrou, No Instituto da Oração, Em pouco tempo, o Instituto Caiu em perturbação.
13 Um grupo de caridade, Era o de Irmã Genoveva, O grupo abraçou a sombra, Depois envolveu-se em treva.
14 Tome cuidado… A pessoa Que acolhe a intriga onde esteja Adoece sem notar A influência malfazeja.
15 Não tema. Você conhece… Onde a sombra se detém, A conversa vai saindo Dos alicerces do bem.
16 Quanto ao mais, lembro o conselho Do velho Cirino Horta: — “Quando a intriga aparecer, Nada ouça e cerre a porta.” Cornélio Pires