Baú de casos · Cornélio Pires · Chico Xavier
Capítulo 5 de 21
Problema de queixas
1 Tenho aqui sua consulta, Meu caro Raimundo Seixas; Você pede opinião Quanto ao problema das queixas.
2 Sem rodeios sobre o assunto, Posso afirmar, meu irmão, Toda queixa, quase sempre, É conversa gasta em vão.
3 A gente chora, reclama, No entanto, o caso é sabido: Lamentação sem trabalho É voz de tempo perdido.
4 Cada pessoa recebe Certo serviço a fazer, Somos nós servos da vida, Cada qual em seu dever.
5 Se o Espírito é rebelde, Perante o mínimo encargo, Inclina-se para a fuga Começando em verbo amargo.
6 Lastima-se contra o tempo Em tudo, seja onde for, Censura-se o pó, a pedra, O vento, o frio, o calor…
7 Mas nessa história de queixas, Você pode registrar: Quem caminha reclamando Principia a piorar.
8 Dever é um fardo do Céu E a quem o vote a desprezo, Surge uma lei vigorosa Impondo ao fardo mais peso.
9 Parece que Deus nos cede Uma cruz de dons extremos, Fugindo a ela, encontramos As cruzes que merecemos.
10 Você recorda o Alexandre, Clamava contra chefias… Depois, ficou sem trabalho Por mais de quinhentos dias.
11 Chorando quatro cruzeiros, Saiu Antonico Brotas, Vindo logo a tromba d’água, Levou-lhe o colchão de notas.
12 Reclamando anel perdido, A irada Dona Rosenda, Transportando vela acesa, Incendiou a fazenda.
13 Ao queixar se contra a esposa, Laurindo da Conceição Atirou dez mil cruzeiros Na fogueira de São João.
14 Zangando-se contra a chuva Dona Liquinha Pastura, Ao correr, teve uma queda De quatro metros de altura.
15 Penso hoje, caro irmão, Pelas provas que já vi: A pessoa, em se queixando, Perde o controle de si.
16 Após a morte do corpo E que se vê quanta gente Lastima o tempo perdido Ao zangar se inutilmente.
17 Anote o caso em você, Em você e em derredor: Na vida de quem se queixa A vida fica pior.
18 Se você quer ser feliz Na terra e no Mais Além, Trabalhe, siga e prossiga Sem se queixar de ninguém. Cornélio Pires