Baú de casos · Cornélio Pires · Chico Xavier

Capítulo 13 de 21

Dinheiro e serviço

1 Você deseja de nós, Meu caro Juca Loureiro, Alguma nota do Além Sobre a questão do dinheiro.

2 Entretanto, caro amigo, Você, de modo geral, Somente fala em moeda Quanto ao que existe de mal.

3 Refere-se a casos tristes, Aos delitos, tais quais são, E apenas vê na riqueza Motivo à condenação.

4 Escute. Medite um pouco No que a lógica elucida E encontrará no dinheiro Apoio, progresso e vida.

5 Sem a finança mantendo A escola, o pão, o agasalho, Pouca gente sobraria Para a bênção do trabalho.

6 E sem trabalho constante O mundo inteiro, por certo, Estaria reduzido A pavoroso deserto.

7 A moeda claramente É força a prevalecer Até que o dom de servir Seja na Terra um prazer.

8 Para evitar entre nós Qualquer indução à briga, Peço a você rememore O burro da história antiga.

9 Em recanto de outras eras, Existiu certo muar Que em vez de ajudar na vila, Só vivia de empacar.

10 Submetido a chicote, Nem notava o próprio dano, Se alguém lhe impusesse carga, Dava coice a todo o pano.

11 Certo dia, um cavaleiro, Com muito tempo de monta, Mostrou a ele uma vara Com milho verde na ponta.

12 Em seguida, o curioso, Resguardando o milho em paz, Avançou, buscando a frente E o burro seguiu atrás.

13 Com semelhante incentivo, Trotou pela estrada larga, Interessado na espiga Servia, aguentando a carga.

14 Você pode observar Pelo assunto que me envia, Que, ante a saga desse burro, Há muita filosofia.

15 É isso aí… Sem trabalho Que a moeda alenta e anota, Os homens copiariam A lentidão da marmota.

16 Não condene os bens do mundo, Sejam meus ou sejam seus; Dinheiro marca a nós todos Como instrumento de Deus. Cornélio Pires