Baú de casos · Cornélio Pires · Chico Xavier
Capítulo 12 de 21
Finados reencarnados
1 Caro Armando, recebi Os bilhetes e os recados; Você deseja notícias De alguns dos nossos finados.
2 Entendo. Finados hoje Para nós, é a comitiva Dos irmãos fora da Terra, Gente morta sendo viva.
3 Não posso dar muitas notas De sentido mais profundo, Falarei de alguns amigos Já reencarnados no mundo.
4 Às vezes, nos cemitérios, A gente chora na campa De amados que já voltaram Para a Terra, em nova estampa.
5 Você recorda Nhô Zeca Que liquidou João Matula? João voltou à casa dele, É o netinho que ele adula.
6 Por causa de Frederico, Suicidou-se o Tonho Prata, Tonho, porém, renasceu… É o bisneto que o maltrata.
7 Outro suicídio, o de Délio Que morreu por Lia Benta… Délio tomou novo berço, É o filho que ela amamenta.
8 Por ambição, Carlomanho Arrasou com Dona Luna; Ela nasceu neta dele, A fim de herdar lhe a fortuna.
9 Tino e Rita promoveram A morte de Adão Ramalho; Adão renasceu com eles, Trazendo imenso trabalho.
10 Nhô Téo acabou com Joana Ao não querê-la por nora, Mas Joana já reencarnou… É a netinha que ele adora.
11 Morreram dois inimigos: Tião e Juca da Barra… Agora nasceram gêmeos, Vieram irmãos na marra.
12 Desencarnado, Nhô Gino Que falava mal de tudo, Pediu corrigenda a Deus, Em seguida, nasceu mudo.
13 Nosso assunto é isto aí… Recordação de finados É a vida em torno da vida Que se expressa por dois lados.
14 Enquanto estamos na Terra, Para dizer o que posso, Muita vez, a gente reza Em campo que já foi nosso. Cornélio Pires