Antologia dos Imortais · F. C. Xavier. — Waldo Vieira · Chico Xavier

Capítulo 94 de 116

Ciro Costa

FASCINAÇÃO

1 Atravessara, aflito, os umbrais do outro mundo E, ao erguer-se da lousa, exânime, febrento, No sepulcro imagina o suntuoso aposento Onde, a sós, afagava o tesouro infecundo.

2 — “Meu dinheiro!” — reclama, exasperado e atento. “Ouro! Meu ouro só! Por nada me confundo! Ladrões! Quem me furtou?” — esbraveja iracundo Em largo desafio aos sarcasmos do vento.

3 Ouve o silêncio em torno e ruge: — “Agora, agora! Achei meu cofre! Achei!…” — gargalha, grita, chora, Na homérica ilusão que ele mesmo proclama…

4 Inclina-se. Algo colhe e, em delírio perfeito, Investe contra a sombra e aperta contra o peito Velha tampa de esquife empastada de lama. [1] CIRO COSTA — Depois de formar-se em Direito pela Faculdade de S. Paulo, o artista de “Pai João” viajou pela Europa e pelo Oriente, chegando a visitar a Índia e o Egito. Residiu por algum tempo no Rio de Janeiro. Juntamente com Olavo Bilac, Martins Fontes e outros intelectuais, fundou a “Sociedade dos Homens de Letras do Brasil”. Colaborou nas revistas paulistas da época, dentre elas A Cigarra e A Vida Moderna. Eleito para a Academia Paulista de Letras, não chegou a tomar posse. “Ciro Costa era uma irradiação larga, amplíssima de talento e de simpatia” — afirma Marques da Cruz na Revista da Academia Paulista de Letras, nº 25, pág.

169. “Epígono da geração acadêmica do Romantismo”, fundamentalmente um romântico, ele viveu, porém, a vida da sua época. “Foi parnasiano e simbolista” — escreve Marques da Cruz, concluindo. (Limeira, Est. de S. Paulo, 18 de Março de 1879 — Rio de Janeiro, Gb, 22 de Junho de 1937.) BIBLIOGRAFIA: Estelário; Terra Prometida. [2] Verso 6 - Epímone. — Cf. 1ª nota do cap. 3 da 1ª Parte. [3] Verso 9 - Ricochete: “… — Agora, agora!” [4] Verso 10 - “Achei meu cofre! Achei!…”: Mesarquia. Cf. nota 7, pág.

42. Observe-se, ainda, a adequação dos verbos a exprimir uma gradação ascendente. [5] Verso 13 - Epímone. — Cf. nota nº 6 deste capítulo.