Antologia dos Imortais · F. C. Xavier. — Waldo Vieira · Chico Xavier
Capítulo 63 de 116
B. Lopes
NADA
1 O molho de verde grama, Cortado inerme e pendente Sobre o rio que o reclama, Rodopia inutilmente.
2 Na água que se derrama Desde o berço da corrente, Segue o rio e fica a rama No bailado incongruente.
3 A vida de muitas almas Teimosas, tristes e incalmas, Assim, estranha, decorre…
4 A inércia, mesmo agitada, É sombra, ruído, nada Para o ser que nunca morre.
LIÇÃO
1 Nas grimpas do pé de amora O vento leve balança E tala a flor terna e mansa Que voa caminho afora.
2 Um petiz vem vindo agora — Doce mimo de criança —, Quer reter a flor que dança, Mas tropeça, cai e chora…
3 Nas lindas cores da tela A Natureza revela A vida de muita gente…
4 Em busca da fantasia, Perdemos toda a alegria, A lutar penosamente.
[1] B. LOPES (Bernardino da Costa Lopes) — Jornalista e poeta de mérito. Classificou-o João Ribeiro como sendo um dos maiores poetas de sua geração. Mestre do gênero descritivo entre nós, “B. Lopes é” — no dizer de C. Chiacchio, Biocrítica, pág. 62 — “a poesia sem metafísicas complicadas, nem filosofias tétricas. Simples poeta de poesia simples”. (Boa Esperança, atual Imbiara, Município de Rio Bonito; Est. do Rio, 19 de Janeiro de 1859 — Rio de Janeiro, Gb, 18 de Setembro de 1916.) BIBLIOGRAFIA: Cromos ; Pizzicatos ; Val de Lírios; Plumário; etc. [2] Verso 5 - Ler Na / á/ gua, com hiato. [3] Verso 6 - Observe-se a metáfora. [4] Versos 18-20 - Ler com diérese: vo-a e cri-an-ça. Cf. “Cromos” — IV —, 11º verso: “Dis/se/me o/ Ti/o/ Sim/plí/cio”; 12º verso: “E a/ bo/a/ do/na/ da/ ca/sa” (apud Rot. II, pág. 600); “Quadro”, 1º verso: “Ca/í/ra o/ sol/ no ho/ri/zon/te”. A propósito de voa, do mesmo sonetilho, observe-se o 8º verso: “Vo/am/ as/ a/ves/ ao/ mon/te”. Ainda, o 11º e o 13º versos: “U/ma/ to/a/da/ dis/tan/te”; “Es/tá/ um/ ho/mem/ na/ por/ta” (ap. E, Werneck, Antol. Bras., pág. 498).