Antologia dos Imortais · F. C. Xavier. — Waldo Vieira · Chico Xavier

Capítulo 57 de 116

Inês Sabino

NO DIA DE FINADOS

1 Agradeço, meu filho, a glória que me deste, O mármore custoso, o imponente jazigo, A legenda piedosa, as flores que bendigo, A oração da saudade, a sombra do cipreste…

2 Mas afasta de nós a pompa que me veste!

Este luxo no chão é miséria comigo…

Quero apenas o amor por sacrossanto abrigo, Dá-me teu coração por tesouro celeste.

3 Não me busques, em vão, na gelidez das lousas!

Transfunde-me a lembrança em pão que reconforte A quem viva de fel na aflição que te espia…

4 Procura-me na dor do caminho em que pousas E esparze em tudo o bem, porque a bênção da morte, Que me acordou na luz, há-de acordar-te um dia…

[1] INÊS SABINO Pinho Maia — Poetisa, jornalista e romancista. Domingos Carvalho da Silva, em sua obra Vozes Fem. da Poes. Bras., pág. 22, considerou-a merecedora de figurar num seleto grupo de poetisas da fase pós-romântica e parnasiana. Iniciou a sua educação literária na Inglaterra. Regressando ao Brasil ainda bem jovem, pouco depois dava a público as suas primeiras poesias e traduzia, para o português, contos, novelas e pequenos romances ingleses e franceses. Foi uma das escritoras que no Nordeste, em fins do século XIX, lutou pela participação da mulher nas lides literárias, contra um meio adverso nesse sentido. No prefácio à sua obra Impressões, Inês Sabino Pinho Maia fez esta judiciosa observação: “Retirem-se do manto estrelado da poesia os salpicos do ideal, que um livro de versos não passará de um compêndio enjoativo das verdades amargas que nos rodeiam acremente por toda a parte.” O Jornal do Commercio, do Rio, em seu número de 14 de Setembro de 1911, destacou-lhe a “grande nobreza de sentimento”, o “espírito caridoso e esmoler” e a real estima de que ela gozava na sociedade, “pela sua inteligência e fina educação”. (Bahia, 31 de Dezembro de 1853 — Rio de Janeiro, GB, 13 de Setembro de 1911.) BIBLIOGRAFIA: Ave Libertas, poemeto; Rosas Pálidas, versos (1ª Série); Impressões, versos (2ª Série); Contos e Lapidações; etc. [2] Verso 1 - Enumeração.

[3] Verso 6 - Antítese.

[4] Verso 14 - Poliptoto: “Que me acordou…, há-de acordar-te…”

[5] Affonso Costa em “Poetas de outro Sexo”, p. III, afirma ter ela nascido na Bahia e não em Pernambuco.