Alma e Vida · Maria Dolores · Chico Xavier

Capítulo 15 de 33

Cantiga da dor

1 “E por que tanta dor por este mundo afora? — Perguntei ao mentor que me instruía — Ralava-me na Terra a escassez de alegria…

2 Voltei do mundo físico e, ainda agora, Novo tipo de lágrimas me assiste: Sou feliz e sou triste Vendo aqueles que amo, em provação constante, Sem que eu possa valê-los, Muito embora o carinho dos meus zelos E o meu imenso amor de cada instante!…”

3 Ele explicou-me com bondade:

“Essa história da dor na Humanidade Precisa ser revista…

4 Por que menosprezar-lhe a função alta e bela, Se não há criatura a evoluir sem ela?

5 Vemo-la, em toda parte, Desde o sono da pedra aos altos sonhos da Arte. Entre os homens irmãos, tudo o que se conquista: A cela corporal, as posses e os prazeres Pedem a vida de milhões de seres!…

6 Quanta aflição envolve a Natureza Para que o homem se alimente à mesa!?… Se houvesse uma consulta em cada horta, Se alguém se dispusesse a ouvir a queixa dos rebanhos Ou se escutasse o tronco que se corta, Quantas inquietações e protestos estranhos!…

7 A dor também é lei na qual se apura A Civilização de que tens a cultura!… Força de propulsão,

8 Sofrimento é processo Para que se organize o topo do progresso Ante o esplendor da evolução!…”

9 “E posso caminhar sem dor; em minha estrada? — Indaguei, pensativa.

10 E o mentor respondeu em voz pausada: “Sem a bênção da dor, que nos guarda e elucida Para o encontro do Bem, Ninguém pode entender os ensinos da vida Nem saberá servir junto de alguém.” Maria Dolores