Antologia da Espiritualidade · Maria Dolores · Chico Xavier
Capítulo 13 de 39
Em louvor da esperança
1 Escuta, coração:
Quando a mágoa te aflija E a incompreensão te zurza implacável e rija, Jamais te dês aos gritos da exaustão!…
2 Revolta é furacão a sacudir O campo, o ninho, a escola, o templo, a casa, E tudo danifica ou tudo arrasa Quando vem a surgir…
3 Quando o pranto amarfanhe os olhos teus, Não mostres tuas lágrimas benditas; Aprende a recolher no campo em que transitas Os ensinos de Deus!…
4 Tudo na Terra é santa aspiração… Serenamente a planta aguarda o fruto amigo E o próprio fruto anseia estar contigo Para a vitória humilde de ser pão.
5 Nasce a fonte cantando, a borbulhar… De início é um fio pobre de água mansa, Mas porque espera, serve e não descansa, Desce ao bojo do rio e acha a glória do mar!…
6 O charco espera a mão do lavrador E, um dia, plasma em lama, lodo e estrume, Um jarro gigantesco de perfume A enfeitar-se de flor!…
7 Nota que a porcelana aprimorada Foi barro que aceitou a disciplina…
8 A pérola mais fina Veio na dor da ostra torturada!…
9 O violino que atende e se consome Por dar à melodia apoio e desempenho Não passava de um lenho Na floresta sem nome!…
10 Detém-te, coração, pensando nisso: No mundo o que há de belo, grande e santo É persistência e esforço, canto a canto, Da esperança em serviço!…
11 Empenha-te a servir, aprender, construir, tolerar, Lembra que o próprio Deus, no mais alto conceito, Em tudo é sempre o Amor Puro e Perfeito Porque nunca se cansa de esperar!… Maria Dolores Essa mensagem foi publicada originalmente em 1969 pela FEB e é a 52ª lição do livro “Poetas Redivivos”