Agência de Notícias · Jair Presente · Chico Xavier
Capítulo 12 de 21
Um caso de obsessão
1 Dos casos que tenho visto, O de Antonico Vicente É uma história como tantas Para educar muita gente.
2 Dono de imensa fortuna, Era um sovina acabado, Quem lhe pedisse um favor Saía desanimado.
3 A mendigo que rogasse A esmola de algum vintém, Sarcástico, respondia: — “Espera o ano que vem.”
4 Um dia, chegou, no entanto, Em que Antonico mudado, Apareceu, de repente, Plenamente obsedado.
5 Cantava, chorava e ria, Falava em estranhas crises, Transformara-se num pouso De Espíritos infelizes.
6 Conduzido a um centro amigo, A fim de obter socorro, Ele chegou a clamar: — “Não aguento!… Sei que morro!”
7 Depois de preces e passes, Veio o Guia acalentá-lo… Antonico, de improviso, Melhorou quase de estalo.
8 Por quatro meses de bênção, Voltou a ser folgazão, Largou as más influências, Curou-se da obsessão.
9 Era, porém, sempre o mesmo… Nada de agir para o bem Fosse qual fosse o pedido, Não amparava a ninguém.
10 Findos dez meses de paz, Disse-lhe o guia: “Antonico, Não deixe de trabalhar, Recorda que és forte e rico.”
11 — “Que fazer?” — perguntou ele… Disse o Guia — alma sincera — “Socorre aos necessitados A caridade te espera.
12 Abandona a sovinice!… Meu amigo, escuta e pensa. Auxilia as boas obras Sem aguardar recompensa.
13 O tempo segue e não para!… Atende, meu companheiro, Distribui na caridade Um tanto de teu dinheiro!…”
14 Mas, ouvindo esses conselhos, Antonico, sem razão, Xingou a beneficência E entrou em perturbação.
15 Por muitos anos, bradou: — “A ninguém darei meu cobre…” Antonico alimentava O medo de ficar pobre.
16 E gritou até morrer No Sítio de João do Zorro, Comendo barro e clamando: — “Não aguento! Sei que eu morro!…” Jair Presente