Assembleia de Luz · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 23 de 34

Notícias da morte - Leandro Gomes de Barros

1 Peço aqui a cada um Que, por favor, me suporte, Mas vários amigos mandam Que eu escreva sobre a morte.

2 Não sei o porquê da escolha, Já que não sou literato, Verso que eu possa compor Recorda uma flor do mato.

3 Antigamente julguei Que a morte fosse a visão De uma bruxa escaveirada Com grande foice na mão.

4 Agora que atravessei A terra-de-toda-gente, Posso falar de cadeira Que ela é muito diferente.

5 Ninguém escapa na Terra Às influências da dita, Ela chega para todos, Mas pouca gente acredita.

6 Quando não surge de estalo, Vem vindo de passo em passo, Começa por uma dor, Uma tristeza, um cansaço…

7 Quando desponta, de início, Pouco a pouco, ela reclama Remédio, exame, cuidado, Silêncio, repouso e cama.

8 Se o Céu envia uma ordem De suspender a sentença, Ela deixa a Medicina Afugentar a doença.

9 Mas quando tem carta branca Para trabalho, a preceito, Ela carrega a pessoa Agindo de qualquer jeito.

10 É um quadro triste de luta… Muita gente, nessa hora, Pede apoio e proteção A Deus e Nossa Senhora.

11 Uns gritam: “Quero ficar, Tenho meus filhos pequenos. Socorro, meu Deus, preciso De mais tempo, mais ou menos…”

12 Outros suplicam: “Doutor, Eu pago o que possa ter, Tome qualquer providência, Mas não me deixe morrer…”

13 Contudo, se o Céu ordena, De nada a Morte se espanta, Ciência fica no estudo, Remédio não adianta.

14 Então se estira a pessoa Num sono esquisito e enorme, lembrando nesse descanso Uma lagarta que dorme.

15 Depois, recorda um casulo Na caixa, em forma de cocho, E o corpo sem movimento Tome vela e pano roxo.

16 Logo em seguida, a pessoa Acorda e entra em ação, Copiando a borboleta Que deixa a casca no chão.

17 Aí, é que o carro pega: Se a consciência está boa, É muito encontro feliz E muita luz na pessoa.

18 Mas, se apenas sombra e culpa É o que a mente em si carrega, Parece um doente aos gritos, Brincando de cabra cega.

19 Aqui termino a conversa. Nada mais a comentar, Da morte já disse tudo O que eu podia falar.

20 Toda criatura na Terra, Cada qual por sua vez, Recebe, depois da morte, Somente a vida que fez. Leandro Gomes de Barros