Vozes do Grande Além · Mensagens psicofônicas de vários Espíritos recebidas no Grupo “Meimei” e organizadas por Arnaldo Rocha · Chico Xavier

Capítulo 29 de 70

O Homem e o Tempo - Antero de Quental

Terminávamos as nossas atividades na noite de 5 de janeiro de 1956, quando fomos tomados de grande alegria. Pela primeira vez em nossa casa, compareceu o grande poeta português Antero de Quental à manifestação psicofônica, e, usando mímica e inflexão singularíssimas, ditou os dois sonetos intitulados “O Homem e o Tempo” que, ainda hoje, nos tocam profundamente a sensibilidade. I

1 Disse o Homem ao Tempo: — Ó gênio triste! Onde a tua caverna horrenda e escura? Por que trazes velhice e desventura À minha carne que te não resiste?

2 Abomino-te a clava estranha e dura Que dilacera tudo quanto existe!… Por que razão me segues, lança em riste, Estendendo-me as noites de amargura?

3 Por que fazes o riso envolto em pranto E derramas o fel do desencanto No doce vinho da felicidade?

4 Quem és tu? Monstro ou deus, arcanjo ou fera? Onde o ninho de sombra que te espera Nos remotos confins da Eternidade?! II

1 Mas o Tempo exclamou: — Ergue-te e lida!… Sou o pajem divino que te exorta A seguir para os Céus, de porta em porta, Amparando-te os passos na subida…

2 Eras apenas larva indefinida Quando arranquei-te à treva fria e morta. Desde então, sou a luz que te transporta, De forma em forma, para a Grande Vida.

3 Dou-te alegria e dor, miséria e glória, Para que guardes, puro, na memória, O amor de Deus que, em tudo, anda disperso…

4 Louva o trabalho que te imponho aos dias. Sem meus braços irmãos não passarias De um verme preso às furnas do Universo. Antero de Quental