Vozes do Grande Além · Mensagens psicofônicas de vários Espíritos recebidas no Grupo “Meimei” e organizadas por Arnaldo Rocha · Chico Xavier

Capítulo 24 de 70

A prece de Cerinto - Cerinto

Quantos venham a ler a mensagem constante deste capítulo, decerto nem de longe experimentarão a surpresa de nosso grupo, em cuja intimidade Cerinto, o amigo espiritual que no-la transmitiu, caminhou, pouco a pouco, da sombra para a luz. A princípio, era um Espírito atrabiliário e revoltado chegando mesmo a orientar vastas falanges de irmãos conturbados e infelizes, ainda enquistados na ignorância. Discutia acerbamente. Criticava. Blasfemava.

De nossos entendimentos difíceis, manda a caridade nos detenhamos no silêncio preciso.

Surgiu porém o dia em que a influência de nossos Benfeitores Espirituais se revelou plenamente vitoriosa. Cerinto modificou-se e transferiu-se de Plano mental, marchando agora ao nosso lado, sedento de renovação e luz como nós mesmos. Foi por isso com imensa alegria que lhe registamos a comovente rogativa, por ele pronunciada em nossa reunião da noite de 24 de novembro de 1955.

1 Senhor de Infinita Bondade.

2 No santuário da oração, marco renovador do meu caminho, não te peço por mim, Espírito endividado, para quem reservaste os tribunais de tua Excelsa Justiça.

3 A tua compaixão é como se fora o orvalho da esperança em minha noite moral e isso basta ao revel pecador que tenho sido.

4 Não te peço, Senhor, pelos que choram.

Clamo por teu amor, a benefício dos que fazem as lágrimas.

5 Não te venho pedir pelos que padecem.

Suplico-te a bênção para todos aqueles que provocam o sofrimento.

6 Não te lembro os fracos da Terra.

Recordo-te quantos se julgam poderosos e vencedores.

7 Não intercedo pelos que soluçam de fome.

Rogo-te amor para os que furtam o pão.

8 Senhor Todo-Bondoso!… Não te trago os que sangram de angústia.

Relaciono diante de ti os que golpeiam e ferem.

9 Não te peço pelos que sofrem injustiças.

Rogo-te pelos empreiteiros do crime.

10 Não te apresento os desprotegidos da sorte.

Sugiro teu amparo aos que estendem a aflição e a miséria.

11 Não te imploro mercê para as almas traídas.

Exoro-te o socorro para os que tecem os fios envenenados da ingratidão.

12 Pai compassivo!…

Estende as mãos sobre os que vagueiam nas trevas…

13 Anula o pensamento insensato.

14 Cerra os lábios que induzem à tentação.

15 Paralisa os braços que apedrejam.

16 Detém os passos daqueles que distribuem a morte…

17 Ajuda-nos a todos nós, os filhos do erro, porque somente assim, ó Deus piedoso e justo, poderemos edificar o paraíso do bem com todos aqueles que já te compreendem e obedecem, extinguindo o inferno daqueles que, como nós, se atiraram, desprevenidos, aos insanos torvelinhos do mal!… Cerinto