A vida conta · Maria Dolores · Chico Xavier

Capítulo 5 de 34

Razões da vida

1 Indagas, muita vez, alma querida e boa: — “Meu Deus, por que essa dor que me atormenta o ser?” E segues, trilha afora, em pranto oculto, De sonho encarcerado, a lutar e a sofrer.

2 Anhelas outro clima, outro lar e outros rumos, Entretanto, o dever te algema o coração dorido Ao campo de trabalho que abraçaste, Atendendo, na Terra, a divino sentido.

3 Antes de renascer, os seres responsáveis Notam as próprias dívidas quais são E suplicam a Deus lhes conceda no mundo O caminho que os leve à redenção.

4 Não recalcitres, pois, contra os próprios encargos Que te parecem fardos de problemas, Encontras-te no encalço da conquista De bênçãos imortais e alegrias supremas.

5 A lágrima que vertes padecendo Longas tribulações, entre lutas e crises, É um remédio da vida, em nossos olhos, Que nos faculte ver os irmãos infelizes.

6 O abandono dos seres que mais amas, Criando-te a aflição em que choras e anseias, É um curso de lições em que aprendemos Quanto custam na estrada as angústias alheias.

7 Familiares que te contrariam Trazem-nos à lembrança os gestos rudes Com que outrora ferimos entes caros No fel de nossas próprias atitudes.

8 Afeição de outras eras que descubras, Querendo-lhe debalde a presença e a união, É instrumento de amor que te inspira a renúncia Para o trabalho da sublimação.

9 A experiência humana é breve aprendizado E essa tribulação que te fere e domina É recurso dos Céus, em nosso amparo, Zelo, defesa e luz da Bondade Divina.

10 Sofre sem reclamar a prova que te coube, Mesmo que a dor te espanque, atingindo apogeus… E, um dia exclamarás ante os sóis de outra vida: — “Bendita seja a Terra!… Obrigado, meu Deus!…” Maria Dolores