Volta Bocage… · Manuel M. B. du Bocage · Chico Xavier

Capítulo 8 de 15

Soneto 8

1 A passagem do túmulo desata Tanto a orgulhosos reis, como a pastores, A Parca de mil dedos matadores Da cólera medonha em fúria ingrata.

2 Não lhe valem à horrífica bagata As riquezas e os dons encantadores, Nem lágrimas, nem rogos, nem favores; Nada lhe foge à sanha intimorata.

3 Ó Deus! Ó Céus! cruel destino humano, Tremei, mortais, guardando vosso dia No fraternal amor que obra sem dano.

4 Rasgam-se os véus de toda a soberbia Ao vento do sinistro desengano, Na amarga solidão da cova fria. Mel. Mª de Barbosa du Bocage Recorda-nos que todos temos de deixar este planeta: orgulhosos, humildes, potentados, ricos, formosos. Não há fugir à morte; mas poderemos aguardar tranquilamente o instante de partir, alimentando o amor fraterno. Com este sentimento, a morte se nos transforma em amiga, em libertadora, em fonte de felicidades: não o “desengano”, nem a “amarga solidão” encontra o Espírito, ao transpor o limiar do Espaço, senão o prêmio da virtude e a companhia de amigos que o esperam de braços abertos. Vencemos, assim, a morte e o horror que geralmente nos causa seu espectro. L. C. Porto Carreiro Neto