Volta Bocage… · Manuel M. B. du Bocage · Chico Xavier

Capítulo 4 de 15

Soneto 4

1 Volta, Bocage, ao mundo e grita ao Fado Que a Fama vil padece desengano, Que a carícia de Ismene é fogo insano Depois do escuro Estige atravessado.

2 Antes viver no exílio sem agrado, Sofrer de Goa o beleguim tirano, Beijar fusco Hidal-Khan por soberano Que ser presa de gozo desmarcado.

3 Preferível guardar ervadas setas Da calúnia que mata pouco a pouco, Sucumbindo entre as dores mais abjetas,

4 Que morrer, de olhar baço e peito rouco, Na miserável chusma dos patetas E acordar no outro mundo como louco. Mel. Mª de Barbosa du Bocage Combate a vaidade que aspira à fama e glória entre os homens. Todos os sofrimentos, todas as humilhações são preferíveis à sede de admiração mundana; esta nos enche de orgulho e de ilusões e nos projeta num mundo de dores atrozes, após o desligamento do Espírito, longe da multidão ignara que nos incensava. Ainda nos acautela contra as falsas delícias amorosas, que, após a morte do corpo, se transformam em chamas torturantes para o Espírito. L. C. Porto Carreiro Neto