Volta Bocage… · Manuel M. B. du Bocage · Chico Xavier

Capítulo 1 de 15

Soneto 1

1 Vive o homem no mundo sorte dura, Por estranho caminho arremessado; Fero titã cativo a negro fado, Do berço morno à fria sepultura.

2 Triste filho dos céus, de alma perjura, Desprezível Adão acorrentado Ao desterro de sombras do passado, Respira o lodo e chora a desventura!

3 Ao vão orgulho — a esse deus imigo, Altares vãos erige, por vaidade, Que, na treva, o mantém revel mendigo!

4 Por mais altos pregões a fé lhe brade, Traz, desditoso, o cárcere consigo, Atado à Morte em plena Eternidade.

Mel. Mª de Barbosa du Bocage Ensina que o homem é um anjo decaído, em consequência do mau uso que fez de seu livre-arbítrio: tem-se, deste modo, a figura do “pecado original”. Seu passado de culpas arremessou a criatura num mundo infeliz, onde deve expiar suas faltas em duras provas. Infelizmente, em vez de se submeter à dor, que redime, o homem se rebela por orgulho, que lhe agrava a situação, e assim prolonga seu cativeiro no cárcere da matéria. Nota: Alguns versos, como os tercetos acima, além de outros, foram depois modificados pelo Espírito comunicante. A ortografia do original, redigido a lápis pelo médium, em toda esta série de sonetos, é a antiga, o que mais testemunha a veracidade da autoria destas produções. Este acréscimo de testemunho se entende com os incrédulos, não, evidentemente, com os confrades. Diremos, a propósito, com o excelso Camões: “Aos infiéis, Senhor, aos infiéis, E não a mi, que creio o que podeis.”

L. C. Porto Carreiro Neto