União em Jesus · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 10 de 21

Brasil hoje - Castro Alves

1 Foge o século da Luz. Escoam-se dois milênios De santos, heróis e gênios Com Cristo ensinando o Amor; Mas o ódio continua E agarra-se ao chão da Terra, No torvo dragão da guerra Por monstro devorador.

2 A Inteligência remoça A ideia da Liberdade, Sem que o poder a degrade, Tombam mitos, caem reis. No entanto, quando se esboça A união de povo a povo, Explode a guerra de novo, De novo quebrando as leis.

3 Desde Atenas se promove Um mundo claro e perfeito; Roma estatui o Direito, Mas varrendo a floração Da França de Oitenta e Nove, Rugem na grande chacina O terror, a guilhotina E as batalhas da opressão.

4 Aos clarões da Nova Era, Milhões de cérebros agem; A Ciência quer passagem Para acender o Porvir; O Tempo ávido espera, O atrito vibra no ar, O mundo roga: “Avançar!…” Clama a guerra: “Destruir!”

5 Tanto progresso se espalha, Agiganta-se a Cultura, A Terra sofre, insegura, No temor do próprio fim. Contudo, sobre a metralha, Cristo, na luz que ele encerra, Repete às nações da Terra: “Amai-vos e vinde a mim.!…”

6 Espíritos Benfeitores No Brasil, perante o mundo, Tocados de amor profundo, Retornam do Grande Além E, entre ocultos resplendores, Dissolvem taras primevas, Rompendo os grilhões das trevas Na forja viva do Bem!

7 Por isto, agora, ante a luta Que em fogo se reinicia, Sonhando nova harmonia Na fé que se nos refaz, De pólo a pólo se escuta, Onde a voz dos Céus alcança, Que o futuro da Esperança Pertence ao Brasil da Paz!… Castro Alves [1]

Nota: Houve falha na revisão da estrofe no livro impresso. Vide o original manuscrito sob a custódia do Dr. Eurípedes Higino, filho adotivo do Chico.

Onde está escrito:

“E agarra-se ao chão da guerra Por monstro devorador.” “E agarra-se ao chão da Terra, No torvo dragão da guerra Por monstro devorador.”