Trovadores do Além · Autores diversos. — F. C. Xavier / Waldo Vieira / Elias Barbosa · Chico Xavier
Capítulo 1 de 3
Elias Barbosa.
Intento nosso, há tempos, realizar estudo detalhado sobre a Trova e, tanto quanto possível, em torno dos Trovadores desencarnados, no que se lhes refere as características de estilo, nos moldes do que fizemos em “Antologia dos Imortais”.
Organizando, porém, a presente seleta de cunho eminentemente popular, como que enfeixada por minúsculos corações do povo, — as Trovas, — consideramos a inoportunidade de semelhante análise neste breve antelóquio, vinculado que nos achamos ao simples propósito de oferecer ao leitor nada mais que sucinta nota elucidativa para a devida apresentação desta obra, novo livro que entregamos aos amigos da Verdade e da Beleza, expressas em poesia, integralmente constituído de Trovas: líricas, folclóricas, didáticas, religiosas, de amor, etc., psicografadas em reuniões públicas da Comunhão Espírita Cristã, pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, muitas delas sob nosso testemunho pessoal. À maneira do que sucedeu com a “Antologia dos Imortais”, aqui comparecem poetas representativos de várias escolas literárias, salientando-se que expressiva percentagem se compõe de vates menos conhecidos do grande público, embora sejam quase todos nomes respeitáveis, à vista das páginas luminosas que produziram. É assim que ao lado de Maciel Monteiro, o nosso Félix D’Arvers, segundo Edgard Cavalheiro, que assim o classificou por se haver imortalizado com apenas o soneto “Formosa”, que lhe define a requintada sensibilidade, e juntamente com Emílio de Menezes, Da Costa e Silva, Francisco Otaviano, Alceu Wamosy, Luís Murat e outros aedos de renome nacional, aparecem, neste volume, Rita Barém de Melo, Aderbal Melo, Deraldo Neville, Antônio Azevedo, credores de nossa melhor admiração. Poetas populares e folcloristas quais Cornélio Pires, Lulu Parola e Juca Muniz aqui se reúnem àquele que sem dúvida é um dos cantores máximos de nossa gente — Juvenal Galeno.
Curioso anotar que na obra comparecem muitos poetas da região norte do Brasil, cabendo salientar a presença de um bom número de associados da “Padaria Espiritual”, memorável grêmio literário de Fortaleza.
Observa-se a manifestação de poetas musicistas, como sejam Eugênio Savard e Celeste Jaguaribe.
De estrangeiros, encontramos Bernardo de Passos e Artur Ragazzi, este radicado no Brasil.
De Trovadores geralmente consagrados, renteando com vários outros, destacam-se Belmiro Braga, Colombina (Yde Schloenbach Blumenschein), Américo Falcão, Antônio Sales, Eugênio Rubião, José Albano, Virgílio Brandão e Raul Pederneiras.
A mulher brasileira faz-se representar nestas páginas por inolvidáveis poetisas desencarnadas, que se guindaram a elevado gabarito intelectual, distinguindo-se nomes quais Irene Sousa Pinto, Maria Augusta dos Santos Giuvice (Vida), Antonieta Saldanha, Vivita Cartier, Delfina da Cunha, Targélia Barreto e Julinda Alvim, além das poetisas que já citamos, sem que nos seja possível esquecer o estro iluminado de Maria Celeste e Meimei, campeãs de sensibilidade e ternura no Plano Espiritual. Lívio Barreto, pleno de vigor em seu lirismo, ressurge em quadras magníficas.
Reaparecem poetas que foram espíritas em sua última existência terrena: Leôncio Correia, Casimiro Cunha, Plínio Pereira Ribeiro, Luís de Oliveira, etc.
Primorosas joias literárias oferecem-nos estes autênticos vencedores do túmulo — Batista Cepelos, Rodrigues de Carvalho, Toninho Bittencourt, Fócion Caldas e tantos mais!
Dividimos “Trovadores do Além” em duas partes. Na primeira, dispomos as Trovas por nós selecionadas, com os respectivos números, a fim de esclarecer que os ímpares se referem às Trovas obtidas pelo médium Francisco Cândido Xavier, e os pares às que devemos à psicografia do médium Waldo Vieira. Na Parte II, enfeixamos as sucintas notas biobibliográficas dos poetas, dispostos em ordem alfabética, notas que relacionam entre os parêntesis finais os números das Trovas correspondentes aos seus respectivos autores. Atemo-nos, na bibliografia de cada um, a citar-lhes quase que exclusivamente as obras poéticas, e nem sempre todas. Incluímos, ainda nesta Parte II, breves notícias em torno dos medianeiros deste volume. No final da obra, registramos incompleta Bibliografia, com vistas a documentar nossos despretensiosos estudos e pesquisas.
Antes de terminar, imperioso se diga que em “Trovadores do Além”, à maneira do que verificamos em “Antologia dos Imortais”, a temática se prende a assuntos de ordem superior, sendo de notar-se que o Amor e a Saudade em seus multifários aspectos, além da Felicidade e da Esperança, são as tônicas do presente florilégio. Como bem disse Guimarães Barreto (“Excursão pelo Reino das Trovas”, pp. 11 - 12), o tema, ou assunto que motiva as trovas, é quase tudo. Dentre outras, transcreveu ele a quadrinha abaixo, do poeta José Maria Machado de Araújo:
“A trova com boa rima Mas sem um bom pensamento Lembra uma linda menina Com cabecinha de vento.”
“Desencarnei… É verdade.
Mas prodígios não me peças!
Já tenho a infelicidade De ver o mundo às avessas.”
“Como Espírito, eu estudo A minha morte passada, Se por fora mudou tudo, Por dentro não mudei nada.”
“Quando a morte o olhar nos cerra Não sei, efetivamente, Se a gente fica na Terra, Se a Terra fica na gente.”