Saudação do Natal · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 9 de 21
A ceia ecológica - Cornélio Pires
1 Conversas sobre conversas Por trás de assunto sem lógica Disse-me Ilídio: “Amanhã Vamos à ceia ecológica. Você seguirá comigo?” Pronto, assumi a promessa. Ilídio é um bom amigo, Mas que ceia será essa? “Não deve seguir sozinho”, Prosseguiu ele, “Antes da ceia em caminho.”
2 No outro dia despertei De ouvidos fenomenais Estava escutando as pedras, As plantas e os animais.
3 Ilídio veio buscar me E, no carro em que seguia, Notei que outro era o rumo Além da periferia.
4 Desdobrando-se o caminho, Vimos nós um casarão… O amigo esclareceu: “É a casa do tio Adão.”
5 Avançamos e nos vimos Em meio de algumas roças E notamos o barulho De peões, carros, carroças…
6 Ilídio parou o carro e descemos, Era um desfile esperado. Animais vinham chegando Seguindo por nosso lado.
7 Na frente vinha um cabrito Gritando: “Morra o churrasco!… Não desejo festa alguma, Não quero ver o carrasco!…”
8 Num caminhão certa vaca Mascava feno em restolho. Dizia ao boi que a seguia: “Meu velho, fique de olho.”
9 Ao lado vinham dois perus, Um deles fala: “É demais.” E o outro: “Eu também bebi, Da cachaça do Moraes.”
10 Num caminhão, a galinha, Cercada de frangos novos, Prosava para a festança… “Já dei os meus belos ovos.”
11 Grande fêmea de um suíno, Seguindo frágil leitoa, Rogava: “Não maltratem Minha filha, que é tão boa…”
12 Dois coelhos numa gaiola Cochichavam, entre si: “Não fosse a corda no pé, Sairíamos daqui.”
13 Num planalto assaz pequeno O aroma de um cajueiro; Lá longe ia a parada Dominando o espaço inteiro.
14 No pátio, o chefão chegou E passou a esfaquear, A turma toda apavorada Pôs-se a gemer e a gritar.
15 Vendo o sangue, emocionei-me; Não podia ver aquilo, Queria voltar à casa, A fim de ficar tranquilo.
16 Fui a Ilídio e, com franqueza, Não podia suportar, Aquela cena de dor, Queria a paz do meu lar.
17 Ilídio riu-se e falou: “Cornélio, nunca supus Que você fuja de festa Para as obras de Jesus.”
18 E então, desorientado, Fiquei sabendo, afinal, Que a ceia da ecologia Era a festa do Natal. Cornélio Pires (Versos recebidos em reunião do Centro Espírita Perseverança, dezembro de 1992, em São Paulo, Capital.)