Retratos da vida · Cornélio Pires · Chico Xavier

Capítulo 11 de 21

Desencontros de amor

1 Você deseja noções, Meu caro Luiz Heitor, De como se vê no Além Os desencontros de amor.

2 Vejo agora que você Tocando nessa questão, Anota como se deve A Lei da Reencarnação.

3 Se o estudo sobre a Terra Fosse a luz de toda gente A vida de cada um Surgiria diferente.

4 Muitos renascem no corpo Para renúncia e serviço, Mas depois, passada a infância Não querem nada com isso.

5 Principalmente em matéria Do amor que salva e ilumina, Quando se perde a cabeça, Lá se vai a disciplina.

6 Se nos amássemos todos, Segundo o amor de Jesus, Tudo seria na Terra Bondade, alegria e luz.

7 O amor, no entanto, entre os homens, Tem força de correnteza E o sexo lembra um rio Que precisa de represa.

8 Se uma afeição de outras vidas Vem, de novo, ao nosso olhar, A condição em que esteja É uma lei a respeitar.

9 Pode-se amar a pessoa Em bases de estima e fé, Como se guarda uma flor Que não se arranca do pé.

10 Mas muita gente no teste, Reencontrando um ser amado Desgoverna-se de todo, E deixa o dever de lado.

11 Se a criatura cai nisso, Olvida o senso comum, Menospreza o compromisso, Não aceita aviso algum.

12 Abandonado o programa Que se trouxe ao renascer, Os males que surgirão Ninguém consegue prever.

13 É muito amigo da vida Procurando o próprio azar, Há muito drama no mundo Que precisamos lembrar:

14 Maricota matou João E deu-se ao Natividade, Mas João hoje é filho dela Sem justa necessidade.

15 Carolino suicidou-se Largado por Florisbela, Que não pode ser de Antônio Por ver o morto atrás dela.

16 Antero morreu por Joana Pois Joana deu-se ao Benfica, Antero voltou aos dois, É o filho que os crucifica.

17 Quitéria arrasou Belinha Para dar-se ao Gil Cascudo, A vítima renasceu…

É a filha que a fere em tudo.

18 Cervino acabou com Cláudio Conquistando Dona Elisa, Mas o morto regressou… É o filho que os escraviza.

19 O triângulo afetivo Que não se forma, a contento, Termina sempre na vida Em trio de sofrimento.

20 Se você gosta de alguém, Mas já não está sozinho, Cultive o amor dos irmãos, Não complique seu caminho.

21 Você faça o que quiser, Liberdade é cousa santa, Mas não se esqueça, meu caro: Cada qual colhe o que planta.

22 Se você apenas luta Por desejo e tentação, Separação não se entende, Divórcio não tem razão.

23 Cumpra o dever que abraçou Alegre, forte, sereno, O sexo com remorso É melado com veneno.

24 Recorde o antigo provérbio De valor singelo e raro: — “Quem a paca cara compra, Pagará a paca caro.” Cornélio Pires