Rumos da vida · Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 18 de 19

Variações sobre a morte

1 A morte, caminho afora, Para quem cumpre o dever Tem a beleza da aurora No instante do amanhecer. José Albano

2 Não acumules. Trabalha. Sustentando o bem comum. Na verdadeira mortalha Não existe bolso algum. Sylvio Fontoura

3 Trabalho ativo sem pressa. Repouso em doses normais. A morte sempre começa Quando o descanso é demais. Noel de Carvalho

4 Posse que a morte nos lega É a posse que vejo aqui: Cada Espírito carrega Aquilo que fez de si. Américo Falcão

5 Muita rosa de carinho Na sepultura de alguém, Às vezes, é muito espinho Naqueles que estão no Além. Boris Freire

6 Aqui no Além é que cola Esta nota desabrida: Quanto mais dono da bola, Tanto mais doido da vida. Augusto Cezar

7 No mundo, o dia revela Sempre mais altos caminhos, Mas o tempo, noite a noite, Traz a morte aos pedacinhos. Pedro Silva

8 Na morte, o pior que eu acho, Na cena que desanima, É o cheiro de flor por baixo E o pano roxo por cima. Jair Presente

9 A morte de muita gente, No auge da caminhada, Quando surge, de repente, É uma bênção disfarçada. Ormando Candelária (IRMÃO)

10 Morrendo, o avaro Garcia Rogava passe ao Romeu, Mas a morte repetia: — “Quem passa agora sou eu.” Cornélio Pires

11 A morte traz dois tormentos Para os irmãos usurários: O logro dos testamentos E a luta dos inventários. Belmiro Braga

12 Dizem que a flor da saudade, Flor de angústia e desconforto, Nasceu do pranto materno Na campa de um filho morto. Juca Muniz

13 Finados? Não sei agora Onde os livres e os cativos, Se entre os vivos que estão mortos, Se entre os mortos que estão vivos. Félix Araújo