Relicário de luz · Autores diversos · Chico Xavier
Capítulo 81 de 120
Carta de outro mundo - Belmiro Braga
1 Não aceites por ventura Prazer que te desconforte. O peixe nada à procura Da isca que o leva à morte.
2 A cantiga sem cautela Desce a abismo inesperado. Alçapão abre a janela Ao pássaro descuidado.
3 Trabalha e atende ao porvir. Contudo, pensa primeiro. Formiga vive de agir Mas não sai do formigueiro.
4 Não uses a liberdade Gozando a inércia do bruto. Se queres a eternidade Não desprezes teu minuto.
5 Faze o bem. Não sejas louco, Aprende no amor cristão. Inteligência é bem pouco No dia da salvação.
6 Sem Deus, não busques na Terra, Luz e paz em parte alguma, Há mais angústia e mais guerra Quando a mentira se esfuma.
7 Evita o abono e a licença Em que a preguiça se escuda. Ferrugem é a recompensa Da enxada que não ajuda.
8 Dos males que andam na estrada, Aquele que mais domina É a mente desocupada Que vive sem disciplina.
9 Despreza a ciência avessa. É dolorosa irrisão Ter mil livros na cabeça E gelo no coração.
10 Perdoa a mão que te prende A tropeços escarninhos. Muita rosa se defende Pela abundância de espinhos.
11 Foge aos gozos aparentes. Toda flor cai ao monturo, Mas o fruto dá sementes Que seguem para o futuro.
12 Mas a glória que se inflama, Sem Jesus-Cristo no fundo, Quase sempre é treva e lama Nos caminhos do outro mundo.
13 Não te exponhas ao perigo Da tentação que te agrade, Mas se tens Jesus contigo Não temas a tempestade. Belmiro Braga