Registros imortais · F. C. Xavier e outros médiuns do Grupo Meimei. — Autores diversos · Chico Xavier

Capítulo 92 de 96

Apresentação

O Grupo Meimei foi apresentado por Arnaldo Rocha no livro Instruções psicofônicas no ano de 1955, dado o caráter das reuniões e a participação de Chico Xavier e demais médiuns no socorro aos desencarnados por meio de esclarecimento e consolo, visando o benefício das entidades conturbadas e sofredoras, ficando os minutos finais das reuniões dedicados à palavra direta dos instrutores e dos benfeitores espirituais pela psicofonia, apresentando lições edificantes de amigos, relatos comoventes de irmãos recuperados e elucidações de caráter científico, filosófico e religioso. Foi um dos trabalhos mais íntimos em que o querido médium participou numa casa espírita. Como não poderia deixar de ser, o Grupo Meimei tornou-se uma escola de grandes ensinamentos e reflexões, que estavam ficando somente na memória de seus frequentadores. A necessidade de registrar as reuniões realizadas, sem tirar delas o caráter íntimo, se tornou evidente, o que foi possível por meio do gravador doado pelo professor Carlos Torres Pastorino, do Rio de Janeiro, no qual foram gravadas essas valiosas comunicações. As mensagens eram transcritas por datilografia, pelas mãos de Waldemar Silva, confrade do Grupo Meimei conhecido por Pachequinho, cunhado de Chico Xavier. Sob a orientação de Emmanuel, tais comunicações se transformaram em dois livros: o Instruções psicofônicas, editado em 1955, e o Vozes do Grande Além, editado em 1957, ambos com a chancela da Federação Espírita Brasileira (FEB). O Grupo Meimei continua ativo com as bênçãos de Jesus e a presença dos instrutores e benfeitores espirituais. Transformou-se no Centro Espírita Meimei, com a ampliação de suas atividades, mas mantendo o objetivo primeiro da casa, que é o atendimento aos sofredores nas reuniões de desobsessão.

No dia 31 de julho de 2012, o Centro Espírita Meimei completou 60 anos de trabalhos ininterruptos. Para comemorar a data, nós, os atuais trabalhadores da casa, planejamos registrar essa passagem tão significativa em nossa comunidade por meio de reuniões públicas, da arte espírita e ainda do lançamento de um registro histórico: DVD’s contendo o áudio de algumas mensagens publicadas nos livros já citados e organizados por Arnaldo Rocha, material inédito com a voz dos Espíritos reproduzida pela psicofonia de Chico Xavier, e recuperado pela Versátil Vídeo. Para o grande dia, intencionávamos expor na sede do Meimei o gravador utilizado nas gravações dessas mensagens memoráveis, aparelho que se encontra sob a guarda do memorialista Geraldo Leão, de Pedro Leopoldo, Minas Gerais. Solicitamos, então, ao referido arquivista o empréstimo do equipamento para exposição no Meimei, o que nos foi terminantemente negado, dado o fato do aparelho ser muito velho, passível de danos durante o transporte até à casa espírita. Contudo, o desejo de levar o gravador até a nossa casa após 60 anos, e reproduzir pela primeira vez para o público algumas dessas mensagens obtidas nas memoráveis reuniões de desobsessão, nas quais Chico trabalhou, até sua transferência para Uberaba, persistiu em nossas mentes. Tempos depois decidimos procurar por Geraldo Leão novamente, para sensibilizá-lo da importância do evento e solicitar-lhe, uma vez mais, o empréstimo do famoso gravador. No máximo receberíamos dele um não como resposta, e a alcunha de insistentes nessa nova tentativa. Pois bem: qual não foi a nossa surpresa quando ele demonstrou um grande interesse em nos ajudar nas comemorações, com todo e qualquer material de que necessitássemos, autorizando a transferência do aparelho para o Meimei durante todo o mês de julho de 2012, com a condição de ele próprio levar e buscar o equipamento ao final das comemorações. Pode imaginar a nossa alegria? Nesse momento percebemos que atendíamos a uma indicação da Espiritualidade pelas vias da intuição. Mas o melhor ainda estava por vir. Disse-nos Geraldo Leão, na oportunidade, que possuía as mensagens originais datilografadas dos livros já publicados, capturadas das fitas. Informei a ele que certamente estaria enganado, pois esse material pertencia à FEB. que os editou. Então ele foi aos seus arquivos, buscou; e me entregou uma pasta amarelecida pelo tempo. de um modelo que não se encontra mais. Pude ver um material muito bem conservado, no qual se via o registro das reuniões do Meimei contendo data da reunião, nome dos participantes, a mensagem recebida na noite, o nome do médium e o nome do Espírito comunicante. Fiquei surpreso e muito emocionado ao me deparar com aquele material! Acreditei, de imediato, tratar-se de algo inédito. Perguntei ao Sr. Geraldo se poderia analisar o material em minha residência, mais detidamente, pois desejava verificá-lo junto às mensagens já publicadas, no que, gentilmente, ele permitiu. Procedendo a conferência, pude constatar que as mensagens daquela pasta eram realmente inéditas, pois datavam de 4 de outubro de 1956 a 17 de julho de 1958, sendo a data da última mensagem publicada no livro Vozes do Grande Além a do dia 27 de setembro de 1956. Foi um júbilo para mim concluir que as mensagens da pasta que me foi entregue pertenciam às reuniões subsequentes às contidas nos referidos livros já publicados. Comuniquei o achado imediatamente ao amigo Geraldo Lemos Neto e ele, se ligando à nossa emoção, foi portador da seguinte assertiva: “Este é um presente de Chico para o Meimei!”

Na comemoração das bodas de diamante do Meimei, não poderíamos ter recebido joia maior! Curioso é que conversando com a irmã de Chico, Cidália Xavier de Carvalho, frequentadora das inesquecíveis reuniões no Centro Espírita Meimei, junto de seu marido, Chiquinho Carvalho, ela disse algo com o mesmo sentido: “Isso é o Chico se fazendo presente entre nós!”

Em depoimento a Oceano Vieira de Melo, registrado no Meimei para o referido DVD lançado pela Versátil Vídeo, Arnaldo Rocha se refere a essas mensagens que ele nunca mais localizou, exprimindo a esperança de que um dia elas viessem a lume. Vamos ainda encontrar em Reformador uma entrevista do próprio Arnaldo sobre o livro Instruções psicofônicas, publicada em setembro de 2011, na qual ele confirma a existência dessas mensagens:

“(…) Reformador: Surgiram outros livros?

Arnaldo: Organizamos depois o Vozes do Grande Além, lançado em 1957. Houve até um diálogo interessante entre mim e o médium para chegarmos a um ponto comum com relação ao título. Logo depois que Chico se mudou para Uberaba, entreguei a ele parte dos originais para um eventual novo livro, obtido das gravações das psicofonias. A cada visita, lembrávamos a Chico e este sempre respondia: “É mesmo, precisamos publicá-lo…” Depois mudei-me para Brasília passei a visitá-lo esporadicamente, o tempo passou e o terceiro livro não foi publicado (…)” (REFORMADOR, 2011, p. 12).