Refúgio · Emmanuel · Chico Xavier
Capítulo 1 de 23
Refúgio.
1 Quase que, por toda parte da Terra, encontramos os companheiros sofredores ou desorientados, à feição de viajores sem bússola, que lhes aponte o rumo certo.
2 Muitas vezes, estarão detendo a fortuna amoedada e outros exibem superioridade intelectual manifesta pela inteligência cultivada que já conquistaram, mas transportam consigo o íntimo atormentado que procuram disfarçar. Isso, porém, não os torna menos infelizes.
3 Tanto quanto ocorre aos irmãos francamente desventurados, seja pela penúria material ou por amargas provações ocultas, guardam a impressão de que o frio da adversidade lhes vergasta a vida por dentro de si mesmos.
4 E a lista desses companheiros se alonga, cada vez mais, conforme se nos faz possível relacionar:
os doentes; os desabrigados; os esquecidos; os angustiados; os perturbados;
5 os tristes; os cansados; os desesperados; os quase suicidas; os abandonados;
6 os revoltados; os desanimados; os desiludidos; os arrependidos; os desvalidos;
7 os insatisfeitos; os desnorteados; os marginalizados; os injuriados;
8 os que carregam o fardo da direção; os que administram, entre a inquietação e a responsabilidade; os subalternos incompreendidos; os desempregados por culpa própria; os que cometem atos puníveis pela justiça;
9 os desertores do próprio dever; os sanatorizados sem razão; os acusados por faltas que não perpetraram; os que a necessidade costuma enlouquecer de sofrimento; e tantos outros que não conseguimos enumerar.
10 Para esses companheiros sob a ventania das provações foi escrito este livro. Por isso mesmo, denominamo-lo “Refúgio”. Que este refúgio de paz e amor, compreensão e boa vontade, possa confortá-los e reerguer-lhes o ânimo, em nome de Jesus, nosso Divino Mestre e Senhor, são os nossos votos. Emmanuel Uberaba, 15 de março de 1989.