Revelação · Jair Presente · Chico Xavier
Capítulo 3 de 16
Luta de um pai
1 O Coronel Minervino Era rico fazendeiro, Segundo a fala do povo Guardava muito dinheiro.
2 Ao perder a esposa morta, Dona Libânia Maria, Caiu em doença grave Entrando em paralisia.
3 A clamar e a lamentar-se Sozinho num casarão, Tomou por filho adotivo O órfão Sebastião.
4 O menino que era pobre, Mas, pobre a mais não poder, Não mostrava a inclinação De servir e obedecer.
5 Na escola era mau aluno, Preguiçoso e respondão, Quase todos os colegas Tinham medo do Tião.
6 O coronel evitava Falar-lhe em renúncia e paz, Queria encontrar no filho Um atleta forte e capaz.
7 Muito em breve fez-se moço Bonitão e gastador. Usava as notas do pai Como papéis sem valor.
8 Não aceitava conselhos De estudar ou de parar, Tinha ele um pai tão rico Para que se incomodar?
9 Mas, ninguém foge a mudanças Que aparecem ano a ano; O coronel via no filho O seu pior desengano.
10 Estava pobre e doente Pagando agora os juros Das quantias emprestadas Para resgates futuros.
11 Piorando, piorando… Nada mais tinha de seu… Numa noite triste e fria O coronel faleceu.
12 Tião chorou, mas, lembrou-se Dos seus tempos de criança; De certo receberia Do pai morto grande herança.
13 No outro dia, forte e ansioso Mantendo o seu sonho inglório, Foi chamado para ajustes Registrados num cartório.
14 O escrivão plantonista Informou-o, num momento, Que o pai morto não deixara O mínimo testamento.
15 Deixou uma carta apenas Com cuidado e distinção, Documento dirigido Ao filho Sebastião.
16 O rapaz abriu-a logo, Era algum informe enfim… Quem sabe maneava herança? A carta dizia assim:
17 “Tião, terminam agora Meus dias atribulados, Todos os bens que me restam Estão hoje hipotecados.
18 “Não lhe deixo herança alguma, Estou pobre e sem valia, Meu filho, tudo lhe dei E agora chegou meu dia…
19 Nada mais tenho a lhe dar Mas se você quer dinheiro, Muito dinheiro a gastar, Busque o bem, fazendo amigos E comece a trabalhar.” Jair Presente