Revista Espírita · Allan Kardec

Capítulo 96 de 122

Reencarnação – Preexistência.

Um dos nossos correspondentes houve por bem nos enviar os extratos seguintes do preâmbulo da História da Revolução Francesa, de Louis Blanc. Como estão inteiramente conformes aos princípios da filosofia espírita, julgamos um dever comunicá-los aos nossos leitores.

“Mas que! mesmo quando se debate a pura soberania da ideia, vê-se sangue! sempre sangue! Qual é pois esta lei que, em todo grande progresso tem como consequência algum grande desastre? Semelhantes à charrua, as revoluções não fecundam o solo senão dilacerando-o; por quê? Donde vem que o tempo é apenas a destruição que se prolonga e se renova? Donde vem à morte esse poder de fazer germinar a vida, quando, numa sociedade que se desmorona, milhares de indivíduos perecem esmagados sob os seus escombros? Que importa? dizemos nós. A espécie avança lentamente. Mas é justo que raças inteiras sejam atormentadas e aniquiladas, a fim de que um dia, mais tarde, num dado tempo, raças diferentes venham desfrutar dos trabalhos realizados e dos males sofridos? Esta imensa e arbitrária imolação dos seres de ontem pelos de hoje e os de hoje pelos de amanhã não é capaz de sublevar a consciência em suas mais íntimas profundezas? E aos infelizes que caem, degolados perante o altar do progresso, o progresso não parecerá um ídolo sinistro, uma execrável e falsa divindade? “Há que convir que estas seriam questões terríveis, se, para as resolver, não existissem estas duas crenças: Solidariedade das raças, imortalidade do gênero humano. Porque, quando se admite que tudo se transforma e que nada se destrói; quando se crê na impotência da morte; quando se está convencido de que as gerações sucessivas são modos variáveis de uma mesma vida universal que, em se melhorando, continua; quando, enfim, se adota esta admirável definição que o gênio de Pascal deixou escapar: “A Humanidade é um homem que vive sempre e que aprende incessantemente”, então o espetáculo de tantas catástrofes acumuladas perde o que tinha de aflitivo para a consciência; não se duvida mais da sabedoria das leis gerais, da eterna justiça; e, sem empalidecer, sem se humilhar, seguem-se os períodos desta longa e dolorosa gestação da verdade, que se chama História.” [A. DESLIENS.]

[1] [l’Histoire de la Révolution française, par Louis Blanc – Google books.]