Revista Espírita · Allan Kardec

Capítulo 80 de 122

A alma e a gota d’água.

Pequena gota d’água em nuvens tens passagem, Sabes qual será teu destino?

Sobre qual leito de folhagem Virá te oferecer o beijo matutino? Da planície em que o solo quente, Qual torrente espumosa ao flanco da colina, Qual oceano ou fonte algente Espera, gota d’água,o teu beijo em surdina? Poderás irisar a sebe colorida? Na lama iras deixar o teu cântico olor, Ou dormir, amante querida, No cálice a rir de uma flor?

Ah! que te deu da vida o acaso em que sorrias, Seus bens ou dor em que te forres? Num certo plano de harmonias, Escrava nasces e assim morres… Mas a alma, mistério sublime, Raio vindo do céu para a imortalidade, A alma se eleva ou se deprime Ante o sopro da liberdade.

(Espírito batedor de Carcassonne.)