Revista Espírita · Allan Kardec

Capítulo 6 de 122

Lamartine.

Ante as oscilações do céu e do navio, No encapelado mar com suas ondas lentas, Mentalmente o homem dobra um Cabo das Tormentas, E passa sob o raio e sob a escuridade, O trópico a agitar de uma outra Humanidade.

O Siècle de 20 de maio último citava estes versos a propósito de um artigo sobre a crise comercial. Que têm eles de espíritas? perguntarão. Não se trata de almas, nem de Espíritos. Poder-se-ia perguntar, com mais razão, que relação têm com o fundo do artigo, no qual estavam enquadrados, tratando de taxas de mercadorias. Interessam muito mais diretamente ao Espiritismo, porque é, sob outra forma, o pensamento expresso pelos Espíritos sobre o futuro que se prepara; é, numa linguagem ao mesmo tempo sublime e concisa, o anúncio das convulsões que a Humanidade terá que sofrer para a sua regeneração e que, de todos os lados, os Espíritos nos fazem pressentir como iminentes. Tudo se resume neste pensamento profundo: uma outra Humanidade, imagem da Humanidade transformada, do novo mundo moral substituindo o velho mundo que desaba. Os preliminares destas modificações já se fazem sentir, razão por que os Espíritos nos repetem de todas as formas que os tempos são chegados. O Sr. Lamartine aí fez uma verdadeira profecia, cuja realização começamos a ver. [v. Comunicação de Lamartine.]