Revista Espírita · Allan Kardec

Capítulo 101 de 122

As lunetas.

De ouro, púrpura e opala, os grandes refletores, A refletir do dia o seu declínio em cores, Deixava pensativo o camponês Simão; Em seus olhos assim uma lágrima brilha. Esse imenso clarão na alma dele fervilha E um profundo sentir lhe invade o coração. Simão não é um homem de ciência, Não conhece a matéria e as mecânicas leis; Mas tem mais em bom-senso; ele tem consciência; Ele é inteligente e modesto por vez. No fervor de seu devaneio, Tais nomes murmurava: Alma, Deus, Criador, Quando um riso de alguém com deboche lhe veio, Surgiu ao lado seu. Quem era o zombador? Era o senhor seu filho!… Um moço imberbe ainda, Mas diplomado já… que de sábio se guinda. - Menino, eu admiro o esplendor Desse harmônico quadro, tão grandioso, Vejo em meu coração, creio com amor. - E o filho co’ironia, exaltado e vaidoso: Vós vedes, o dizeis, e credes… está bem! Quanto a mim nada vejo e nada de mais tem. - Com chistes ou graças velhacas, Opinoso e insistente em se dando razão, O jovem bacharel olhava o espaço então, Com suas lunetas opacas.

Sabedores materialistas, De pretensiosos tais vós pertenceis às listas, Vossas demonstrações falíveis, incompletas, Não estão nas vossas lunetas?

Dombre.