Revista Espírita · Allan Kardec
Capítulo 13 de 97
As estrelas cairão do céu
Os messias do Espiritismo: São José. — Fénelon.
— Baluze.
— Lacordaire.
— Os Espíritos marcados: Anônimo. — São Luís.
— Lamennais.
— Futuro do Espiritismo: Erasto. — Montaigne.
— As estrelas cairão do Céu:
Dupuch, bispo de Argel. — Os mortos sairão dos túmulos: João Evangelista.
— O Juízo Final: Erasto. — Clélie Duplantier.
AS ESTRELAS CAIRÃO DO CÉU.
10. Oh! como é bela a luz do Senhor! que brilho prodigioso espalham seus raios! Santa Sião! bem-aventurados os que estão sentados à sombra de teus tabernáculos! Oh! que harmonia é comparável às esferas do Senhor? Beleza incompreensível para olhos mortais, incapazes de perceber tudo quando não depende do domínio dos sentidos! Aurora esplêndida de um dia novo, o Espiritismo vem iluminar os homens. Os clarões mais fortes já aparecem no horizonte; os Espíritos das trevas, vendo que seu império vai desmoronar, são vítimas de raivas impotentes e já põem sua última energia em complôs infernais; o anjo radioso do progresso já estende suas brancas asas coloridas; as virtudes dos céus já se abalam e as estrelas caem de sua abóbada, mas transformadas em puros Espíritos, que vêm, como anuncia a Escritura em linguagem figurada, proclamar sobre as ruínas do velho mundo o advento do Filho do Homem. Bem-aventurados aqueles cujos corações estão preparados para receber a semente divina, que os Espíritos do Senhor lançam a todos os ventos do céu! Bem-aventurados os que cultivam, no santuário da alma, as virtudes que o Cristo lhes veio ensinar, e que ainda lhes ensina pela voz dos médiuns, isto é, dos instrumentos que repetem as palavras dos Espíritos! Bem-aventurados os justos, porque o reino dos céus lhes pertencerá! Ó, meus amigos! continuai a marchar no caminho que vos é traçado; não vos constituais em obstáculos à verdade que quer esclarecer o mundo. Não; sede propagadores zelosos e infatigáveis como os primeiros apóstolos, que não tinham teto para abrigar suas cabeças, mas que marchavam para a conquista que Jesus havia começado; que marchavam sem ideia preconcebida, sem hesitação; que tudo sacrificavam, até a última gota de seu sangue, a fim de que o Cristianismo fosse implantado. Vós, meus amigos, não necessitais de sacrifícios tão grandes. Não; Deus não vos pede vossa vida, mas o vosso coração, vossa boa vontade. Sede, pois, zelosos e marchai unidos e confiantes, repetindo a palavra divina: “Meu Pai, que seja feita a vossa vontade, e não a minha!”
Dupuch, bispo de Argel.
Bordeaux,
1863. [1]
[v.
Antoine-Adolphe Dupuch.]