Revista Espírita · Allan Kardec

Capítulo 70 de 109

Caso de identidade.

Um dos nossos correspondentes de Maine-et-Loire transmite-nos o fato seguinte, que se passou aos seus olhos, como prova de identidade.

Desde algum tempo o Sr. X… estava gravemente enfermo em C…, na Touraine, e sua morte era esperada a qualquer momento. No dia 23 de abril último, tínhamos por alguns dias em nosso grupo uma senhora médium, a quem devemos comunicações muito interessantes. Veio ao pensamento de um dos assistentes, que conhecia o Sr. X…, perguntar a um Espírito familiar do nosso grupo, Espírito leviano, mas não mau, se aquele senhor tinha morrido. – Sim, foi-lhe respondido. – Mas, é bem verdade, já que às vezes falas tão levianamente? – O Espírito respondeu de novo afirmativamente. No dia seguinte, o Sr. A. C…, que até então tinha sido pouco crente, e que também conhecia particularmente o Sr. X…, quis ele próprio tentar evocá-lo, se, de fato, ele tivesse morrido. O Espírito veio imediatamente ao seu apelo e disse: “Por favor, não me esqueçais. Orai por mim.” – Desde quanto tempo estais morto? perguntou o Sr. A. C. – Um dia. – Quando sereis enterrado? Esta tarde, às quatro horas. – Sofreis? – Tudo que uma alma pode sofrer. – Guardais rancor de mim? – Sim. – Por quê? Sempre fui muito rígido convosco. As relações desses dois senhores sempre tinham sido frias, embora perfeitamente polidas. Rogado a assinar, o Espírito deu as três iniciais de seu prenome e de seu nome. No mesmo dia o Sr. A. C. recebeu uma carta, anunciando-lhe a morte do Sr. X… À noite, após o jantar, ouviram-se pancadas. O Sr. A. C. tomou a pena e escreveu o ditado sob a batida do Espírito:

Fui ambicioso; sem dúvida todo homem o é; Mas nunca rei, pontífice, chefe ou cidadão Concebeu um projeto tão grande quanto o meu.