Revista Espírita · Allan Kardec
Capítulo 60 de 93
A prece pelos Espíritos
Estou muito tocado, ó filho, por te achar Às minhas ordens pois, e em prece a me invocar, E ativo reprovar a lógica falaz E os argumentos vãos de uma seita mordaz, Que o Espírito supõe só cumprir um dever Em vindo à tua voz, bem feliz de o poder, Submisso a tua lei, fugir e deixar logo A morada do mundo em que se vive a rogo, De ultrapassar enfim infinitos recantos Que entristecem bem mais que por mortos os prantos. Grandes nomes eis pois e com frases pomposas. Mas se vem revelar coisas maravilhosas Dos mundos em menção, abrir os horizontes Dos tempos, e ensinar lições em longas fontes, Todo o princípio e fim de tua alma imortal, Da grandeza de Deus, seu poder eternal, A justiça infinita e seu sublime amor, Em paga, tu dirás, nobre gracejador, Se ele um dia rogar-te uma pequena prece, Exigente será se às vezes se aborrece Só por ter de pagar pequenino favor, És visto, suplicante, anular o pudor E tanto mendigar como um pobre mendigo, Suspirar pelo pão que nutre a vida, o trigo? Oh! crê-me, caro filho, é três vezes desgraça! Aquele pois que então olvida a dor que passa E as lágrimas cruéis deste mundo invisível, Ouvindo a nossa voz permanece insensível, E de joelhos não vem Por nós orar também.
Casimir Delavigne.
Allan Kardec.
Paris. – Typ. de Rouge frères, Dunon et Fresné, rue du Four-Saint-Germain, 43. [1] [v.
Casimir Delavigne.]