Revista Espírita · Allan Kardec
Capítulo 9 de 102
Um Espírito batedor no século XVI.
Lê-se na Histoire de saint Martial, apóstolo das Gálias e, notadamente, da Aquitânia e do Limousin, pelo Rev. Pe. Bonaventure de Saint-Amable, carmelita descalço, 3ª parte, p. 752:
“No ano de 1518, no mês de dezembro, em casa de Pierre Juge, negociante em Limoges, um Espírito, durante quinze dias, fazia grande barulho, batendo nas portas, nas tábuas do assoalho e nas lajes, e mudava os utensílios de um lugar para outro. Vários religiosos ali foram dizer missa e velar à noite, com círios acesos e água benta, sem que ele tivesse querido falar. Um rapaz de dezesseis anos, natural de Ussel, que servia àquele negociante, confessou que o Espírito o havia molestado muitas vezes, em casa e em vários outros lugares, acrescentando que um parente seu, que o tinha feito herdeiro, havia morrido na guerra e tinha aparecido muitas vezes a vários de seus parentes e batido em sua irmã que, em consequência, faleceu três dias depois. Tendo o dito negociante Juge despedido o rapaz, todo esse barulho cessou.” Evidentemente o jovem era médium inconsciente, de efeitos físicos, como sempre os houve. O conhecimento das leis que regem as relações do mundo visível com o mundo invisível faz todos esses fatos, supostamente maravilhosos, entrarem no domínio das leis naturais.
Allan Kardec.
Paris. – Typ. de COSSON ET Ce, rue du Four-Saint-Germain, 43.
[1] [Histoire de St Martial, apôtre des Gaules, ou la Défense de son … — Google Books,] — Par le P. Bonaventure Saint-Amable — 1676.